Depressão: quando a luz dos olhos teus resolve se apagar 188

O que é, afinal, este sentimento que atinge tanta gente, que deixa as pessoas sem sonhos, sem saída?

“A paisagem não tem cor, meu prato favorito não tem sabor. Nada importa. Me dá desânimo pensar em enfrentar certas coisas, pois sei que minha energia é pouca. Para que batalhar tanto se nada tem graça? Às vezes, eu só me obrigo a sair da cama porque tenho que ir trabalhar. Vou porque tenho que ir, porque é um lugar “seguro”, que já conheço, mas qualquer ambiente novo incomoda. A minha família não me compreende totalmente, por isso me isolo e sei que sou visto por muitos como preguiçoso, sem força de vontade”.  Este depoimento é de alguém que tem depressão. Esta pessoa está no mundo corporativo e pode estar bem aí do seu lado, sem parecer que está sofrendo da forma silenciosa que está. Ela pode, inclusive, ser você.

Mas o que é, afinal, este sentimento que atinge tanta gente, que deixa as pessoas sem sonhos, sem saída? De onde ele vem?

A primeira coisa que devemos prestar atenção é que a depressão não é apenas uma sensação de tristeza, é um transtorno que atinge o humor, os pensamentos, a saúde e o comportamento de formas diferentes. É uma condição complexa que envolve aspectos biológicos, psicológicos, existenciais, sociais, e ela pode ter forte base hereditária e biológica, inclusive com alterações neuroquímicas específicas. Doenças clínicas também podem levar à depressão, como, por exemplo, o hipotireoidismo, carência de vitamina B12. Outros casos são decorrentes de condições psicológicas graves, como lutos complicados ou transtornos de personalidade. Não devemos esquecer ainda a associação da depressão com questões existenciais centrais da vida humana, como o tédio, vazio, solidão e desamparo, ou com questões sociais, como vulnerabilidade social, abusos, entre outros.

Ou seja, ela pode ter diferentes origens e intensidades. O fato é que hoje, representa uma das principais causas de sofrimento psíquico e de incapacitação no mundo. Esta afirmação pode ser reforçada por dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em abril. Segundo a OMS, entre 1990 e 2013, o número de pessoas que sofrem de depressão e ansiedades aumentou em quase 50% (de 416 milhões para 615 milhões). Aproximadamente 10% da população mundial é afetada, e os transtornos mentais são responsáveis por 30% da carga global de doenças não fatais. A OMS estima ainda que cerca de 1 em cada 5 pessoas sofra com a depressão e ansiedade.

Para os médicos, ela é caracterizada por sintomas como: humor triste, perda de prazer e interesse na vida, alterações do sono, alterações de apetite e peso, agitação ou lentidão, culpa e baixa autoestima. Pode ser grave, moderada ou leve. Algumas vezes quadros depressivos demoram a ser identificados, daí dizer que podem se apresentar de maneira silenciosa.

Depressão já existia na Grécia Antiga

A vida moderna não é nada fácil e acabamos de observar que o número de pessoas com depressão só está aumentando. No entanto, o curioso é que a depressão sempre existiu. Já na Grécia Clássica, Hipócrates (uma das figuras mais importantes da história da Medicina) descreveu a melancolia e atribuía a ela um acúmulo de “bílis negra” no organismo. Muito tempo depois, o quadro chamou a atenção de Sigmund Freud que escreveu um ensaio genial sobre o tema, Luto e Melancolia, publicado em 1917. Atualmente a depressão tem ganhado cada vez mais espaço no debate público, trazendo grandes questões sobre vários aspectos: quais seriam os determinantes da depressão? Hoje a grande questão é: fatores psicológicos da vida contemporânea estariam favorecendo um “estar no mundo depressivo”? E os aspectos sociais, como violência e vulnerabilidade social: como afetariam essa questão?

Ajudar muitas vezes é não atrapalhar

É difícil fazer com que as pessoas entendam como conviver com amigos e parentes deprimidos. Mesmo com boa intenção, elas sugerem atividades e distrações, entretenimento, achando que tudo pode voltar ao normal de uma hora para outra e se sentem frustradas quando isso não acontece. A melhor forma de ajudar é através de apoio, escutando, quando a pessoa quiser ser escutada, e não sendo invasivo.

Sugerir um tratamento médico é muito importante, oferecer acompanhá-lo em seu tratamento, se ele desejar. Estas são algumas boas maneiras de ajudar.

O tratamento depende antes de tudo de um diagnóstico preciso. Do ponto de vista medicamentoso, as drogas antidepressivas são eficazes e seguras, devendo ser usada somente com receita médica. A outra abordagem é a psicoterapia, fundamental, sobretudo, nos casos com preponderância de fatores psicológicos. Sabe-se que a combinação medicamentos e psicoterapia é sempre mais efetiva do que qualquer uma das duas formas isoladamente.

Como os outros vão me olhar?

Já falamos sobre a depressão, suas possíveis causas, sintomas e vimos que a pessoa que sofre deste transtorno pode se isolar, por falta de interesse, por vergonha e outros motivos. A ausência em festas e reuniões de amigos ficam cada vez mais frequentes e o medo em relação a contar sobre a difícil fase para as pessoas também. Na cabeça, a dúvida: “o que pensarão de mim? Ficarão com pena? ”.

A questão levantada é gerada porque há muita desinformação sobre os quadros depressivos, com preconceitos como: “depressão é frescura, ou preguiça, ou sem-vergonhice”. Esses conceitos são interpretados erroneamente muitas vezes e é por isso que muitos só entendem verdadeiramente o transtorno quando passam por ele, ou vivenciam por proximidade com algum ente querido.

A depressão afeta as capacidades cognitivas (atenção, raciocínio, memória), sua energia, ânimo e interesse. Tudo isso aliado a noites mal dormidas e outros sintomas secundários ocasionais, como uso de álcool ou sedativos – em alguns casos. Tudo isso atrapalha a vida cotidiana.

Depressão não é como uma epidemia que pode ser “erradicada”

Estamos falando sobre algo subjetivo. Esqueça a ideia de que a depressão é uma doença pura, como a Aids ou a Diabetes. Quando pensamos em solução para este transtorno, muitos aspectos estão envolvidos, não dá simplesmente para “erradicar esta epidemia”. O que se pode dizer é que hoje, com o desenvolvimento das neurociências, ganhamos algumas armas nesta batalha para o alívio sintomático, com as novas medicações.

Nós, organizações, podemos ajudar neste quadro informando, observando e direcionando nossos colegas para um especialista.

A depressão pode receber ajuda médica, na maioria das vezes, mas ela não é apenas uma condição médica. Diz respeito à vida emocional das pessoas. Por isso merece ser vista e pensada amplamente. Médico, medicamentos, psicoterapia, interesse dos amigos e familiares – tudo isso é um grande ganho. Muitas pessoas venceram esta luta! Agora, voltando ao início desta reflexão sobre o assunto, se o transtorno é abstrato, como conviver com ele? A resposta é: “como se conviver com a VIDA, uma vez que ela também é abstrata? ”.

Dentro dos nossos olhos existe a luz e a escuridão. O que determina o que vamos enxergar são nossas escolhas. Escolha o brilho da vida.

*Artigo escrito pelo Dr. Venceslau Antonio Coelho, especialista em Geriatria e Clínica Médica, e médico-consultor da Willis Towers Watson Brasil, e pelo Dr. Rodrigo Lage Leite, médico psiquiatra pelo Instituto de Psiquiatria da USP e Membro Filiado ao Instituto de Psicanálise, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

**Divulgado por Virta Comunicação.

Como cidades inteligentes podem melhorar a vida nos centros urbanos 7626

Hong Kong

Avanços já têm sido usados para atender às necessidades reais das pessoas em diversos aspectos

Há duas palavras que, quase sempre quando são ditas, provocam o efeito de trazer um ponto de interrogação na cabeça de grande parte das pessoas: “Cidades inteligentes”. Para grande parte das pessoas, essa expressão pode incluir um imaginário futurista com muitos robôs e a inevitável reflexão sobre a quantidade de controle que a tecnologia exerce na sociedade atual. Dentro desse contexto, é difícil encontrar uma explicação clara sobre o que são esses locais conectados e como podem ser usados para trazer benefícios aos cidadãos, promovendo avanços significativos para a vida em sociedade.

A boa notícia é que as cidades inteligentes representam um esforço real para promover a qualidade de vida nos centros urbanos e sua utilidade prática vai além de cenas futuristas. Os avanços já têm sido usados para atender às necessidades reais das pessoas em diversos aspectos, como mobilidade urbana, saúde pública, iluminação da cidade, na prevenção de acidentes, entre outros. Para entender a importância desse tipo de tecnologia, basta lembrar que, segundo a ONU, 70% da população mundial vai viver em grandes centros urbanos em 2020 – ou seja, se o trânsito nas metrópoles hoje já está ruim, pode piorar muito em dois anos sem um gerenciamento inteligente de informações.

Diante desse cenário, alguns países já perceberam que é necessário buscar reforços. Na Espanha, o projeto Ciudad 2020 reúne institutos de pesquisa e inovação, universidades e empresas de tecnologia, entre elas a Indra, para discutir como conscientizar os cidadãos desse novo cenário e proporcionar a eles alternativas válidas de melhorar o trânsito e reduzir o consumo de energia. Para isso, são usadas ferramentas como Internet das Coisas, Big Data Analytics, Machine Learning e Internet do Futuro (pesquisas sobre novas arquiteturas para a web), além da realização de estudos sobre comportamento humano. A meta principal é atingir os chamados “Objetivos 20-20-20”, definidos pelo Conselho Europeu em 2007: reduzir 20% das emissões de gases de efeito estufa, produzir 20% de energia renovável e melhorar em 20% a eficiência energética.

Também na Espanha, é de grande notoriedade o projeto de Logroño, capaz de permitir que o governo municipal desenvolva serviços avançados e reduza os custos de manutenção, economizando energia e gerando um ambiente mais sustentável. Pode-se dizer que essa iniciativa já representa uma evolução em relação ao Coruña Smart City, desenvolvido anteriormente e referência mundial na solução de problemas em diversas áreas como segurança, mobilidade, energia. O êxito destes projetos só foi possível graças à tecnologia inovadora empregada, a Minsait IoT SOFIA2, uma plataforma avançada capaz de integrar dados e recursos.

Entre as mais recentes e inovadoras tecnologias disponíveis atualmente para gerenciar em tempo real e de forma centralizada os diversos serviços e soluções das cidades está o City Landscape Manager (CLM), um centro virtual inteligente capaz de gerenciar tanto os eventos planejados como os que não estão, para que a tomada de decisões sejam imediatas. São enormes as possibilidades de ganhos com o uso deste tipo de tecnologia, como por exemplo a economia de mais de 35% do consumo de água para irrigação graças ao cruzamento de dados com o serviço meteorológico, ou 45% na conta energética de edifícios públicos.

Todos esses projetos são exemplos de soluções seguras e com alto grau de integração, dada a necessidade de resposta imediata exigida pelos cidadãos com foco em resultados e capazes de melhorar a qualidade de vida nesses locais. A tendência é a de que esse pensamento se consolide e seja disseminado em outras regiões, já que cidades inteligentes precisam da participação ativa dos cidadãos e dos órgãos de governo. É necessário que eles conheçam os serviços disponibilizados e sejam verdadeiros agentes de mudança. Na prática, isso acontece pelo acesso a alguns serviços úteis (como, por exemplo, o consumo de energia da própria residência) via smartphones ou tablets, com interações via notificações, recomendações e avisos personalizados.

É verdade que o caminho até atingir esses resultados ainda está sendo trilhado e, no mundo real, ainda existem muitos desafios para serem superados. Ainda assim, um caminho possível envolve uma visão integrada das cidades tendo a tecnologia presente em diversos aspectos da cadeia, atendendo aos cidadãos sob um modelo eficaz. Sem dúvida, esta não é uma mudança que acontece do dia para a noite, mas é totalmente possível a partir de planejamento e com pleno envolvimento dos gestores das cidades. A partir do momento que serviços conectados estiverem disponíveis de maneira eficiente e homogênea, a custo mais baixo, será possível construir um futuro mais sustentável, inteligente e saudável.

*Por Antonio de Farias Leite Neto, diretor de Administração Pública e Saúde da Indra no Brasil.

5 dicas para tirar uma empresa do vermelho 9473

Executivo

Especialista explica detalhes que podem fazer toda diferença

A crise financeira trouxe grandes desafios para os empreendedores brasileiros. Com isso, a redução de custos exige o corte de itens considerados supérfluos e outras medidas são tomadas pelas empresas para melhorar a rentabilidade dos negócios.

“Aqueles gastos que parecem pequenos podem comprometer os recursos da empresa e significar a diferença entre sobreviver ou fechar o seu negócio”, destaca Samuel Lopes, sócio da Tiex, empresa de consultoria e gestão financeira corporativa.

Conforme Lopes, além de reduções de custos, controle pode gerar receita extra, que deve ser reinvestida no negócio, como novos produtos, serviços, bonificações e incentivos para colaboradores, no crescimento da empresa em geral, e até no lucro dos acionistas.

O especialista elenca cinco iniciativas que as empresas precisam ter para conseguirem se recuperar e crescer.

Plano efetivo: Antes de fazer qualquer corte, é necessário elaborar um planejamento financeiro/estratégico que tenha uma análise do passado e do presente, assim como uma projeção do futuro. “É importante lembrar que esta projeção tem que ser muito bem desenhada, considerando, por exemplo, as dificuldades atuais do mercado”, diz o sócio da Tiex.

Acompanhamento mensal: A viabilização de um acompanhamento mensal é imprescindível para que a empresa consiga obter resultados mais eficazes. Só assim os gestores poderão ter percepção de suas necessidades para a tomada das melhores decisões possíveis. “Qualquer desvio deve ser apontado e discutido. O redesenho dos processos internos e otimizações tecnológicas pode ser muito efetivo”, explica.

Cortes menos impactantes: Deve-se saber onde é possível cortar sem interferir nos negócios. Vender ativos que fogem ao “core business” é desnecessário. “Ás vezes, as empresas entram em um mercado que possuem pouco conhecimento e acabam gastando recursos onde não tem experiência. Já uma renegociação de contratos com fornecedores, seguradoras e bancos é primordial”, afirma Samuel.

Planejamento Tributário: O planejamento fiscal é uma forma de minimizar os custos fiscais. Sucintamente, o planejamento fiscal terá de respeitar a lei de forma integral, procurando negócios jurídicos com menor ou nula tributação. Com isso, é possível se ter um maior controle dos gastos administrativos.

Aprender: Épocas de crise são ocasiões para aprender, pensar muito e ter resiliência. “Se, com a crise, conseguimos renegociar contratos, minimizar custos administrativos, redesenhar processos para que se tornem mais efetivos, pagar menos impostos com um planejamento adequado, por que não fazíamos antes?”, questiona.

Corretores e seguradores vão debater no Brasesul 2018 2880

Debate

Painel conta com a presença de oito presidentes de seguradoras

A proximidade entre corretores de seguros e seguradores é um dos principais atrativos do Congresso Sul Brasileiro de Corretores de Seguros (Brasesul), que acontece nos dias 19 e 20 de julho, em Florianópolis.

Para enfatizar esse relacionamento, o Sincor-SC, Sincor-PR e Sincor-RS, entidades idealizadoras do congresso, prepararam um painel especial para abrir o segundo dia de evento. Intitulado “Painel das Seguradoras e Corretores de Seguros”, o debate terá como mediador convidado o presidente da Fenacor, Robert Bittar, e contará com as apresentações dos dirigentes de grandes companhias falando sobre os planos de suas empresas para aprimorar a parceria com os profissionais da corretagem nos próximos anos.

Veja também: Brasesul traz palestras mundialmente reconhecidas para Corretores de Seguros.

Sob o tema “O que podemos esperar do futuro – caminhos, alternativas e soluções”, as apresentações serão focadas em como a relação com o corretor, peça-chave para o desenvolvimento do mercado, é vista pelas principais Seguradoras. Após a exposição, o painel terá espaço para perguntas do público, que serão feitas via WhatsApp.

O debate promovido será de grande aproveitamento para os congressistas, que poderão expor suas demandas e questionamentos a fim de deixar os seguradores cientes de suas perspectivas, aprovações e dos pontos que podem ser melhorados para que essa relação traga ainda mais frutos ao setor.

O corretor de seguros que já garantiu sua participação saberá em primeira mão como as companhias enxergam a categoria e como elas se preparam para atender suas expectativas, ajudando o profissional da corretagem a aumentar a penetração do setor na sociedade brasileira.

Para os profissionais que ainda não fazem parte do evento, há tempo para participar. Inscreva-se aqui.

Confira ainda a programação completa!

Serviço:

Brasesul
19 e 20 de julho de 2018
Centrosul Florianópolis – Av. Gov. Gustavo Richard, 850 – Centro
Florianópolis – SC

A evolução das maquininhas 9852

Máquina

Confira artigo do Gerente de Projetos e Head de Meios de Pagamentos do Venturus

Na década de 1990, as maquininhas de cartão de crédito não tinham nada de eletrônico. Também conhecidas hoje como “Terminal de Pagamento” ou simplesmente “POS” (do inglês Point of Sales), naquela época elas eram completamente mecânicas e funcionavam apenas para tirar a imagem do cartão nas duas vias do recibo da compra. Para registrar a transação e receber a compra, o vendedor telefonava para a empresa adquirente para solicitar o código de autorização da transação. Era um processo lento e dificultava o trabalho dos comerciantes. Depois de algum tempo, surgiram os cartões com tarja magnética e, com eles, os terminais com o respectivo leitor e comunicação dial-up. O envio da transação de pagamento passou, então, a ser feito online, via internet discada. Porém, a utilização da tarja magnética se mostrou cada vez mais suscetível a fraudes e, assim, o mercado evoluiu novamente e nossos cartões passaram a possuir chips. Os terminais de pagamento, consequentemente, também receberam o respectivo leitor de chip e todas as mudanças internas que o uso desta tecnologia requer.

Mas as transformações dos terminais não pararam por aí. Foram adicionadas novas opções de comunicação como cabo ethernet, Wi-Fi, SIM cards 2G/3G/4G (da rede de telefonia celular) e também bluetooth. Atualmente, terminais mais modernos também podem oferecer a opção de leitura de cartões de chip sem necessidade de contato com as máquinas (contactless), além da opção das novas carteiras virtuais via smartphones e também por meio dos dispositivos wearables, como pulseiras.

Além do uso dos mesmos SIM cards utilizados na telefonia celular, a história dos terminais de pagamento mostra mais algumas semelhanças com a do próprio telefone celular. O telefone surgiu para chamadas sem fio. Depois, passou a ter SMS, aplicativos embarcados, acesso à internet via tecnologia WAP, câmeras digitais e, por fim, surgiram os smartphones e suas lojas de aplicativos como conhecemos hoje.

De forma similar, o POS também recebeu alguns destes itens ao longo de sua história, como displays monocromáticos, displays coloridos, câmeras digitais, além das contínuas melhorias de definição de tela.

Porém, o que mais chama a atenção é o histórico de celular e terminal terem sido criados para uma única tarefa: chamadas telefônicas e pagamentos com cartão, respectivamente. Hoje, ambos recebem o prefixo “SMART” em seus nomes, de forma extremamente justa, devido às suas capacidades como dispositivos multitarefas. Assim como o smartphone, o Smart POS possui a capacidade de executar aplicativos de qualquer área de negócio, mas com a vantagem de se integrar com a sua função original, que é a de receber pagamentos.

O mais recente capítulo da evolução dos POS tem foco no sistema operacional. Os principais fabricantes do mercado já apresentaram suas versões dos dispositivos com Android e agora investem nas estruturas de suas respectivas lojas de aplicativos.

Vamos a mais comparações: Os smartphones e suas excelentes câmeras praticamente acabaram com o mercado de câmeras digitais de uso pessoal. E por que não imaginar que um POS com câmera rodando um aplicativo de vendas, aliado à evolução do QRCode sobre o código de barras, poderia pôr fim aos leitores óticos de bancada que conhecemos hoje? Tecnologicamente falando, isto já é realidade!

Como tirar proveito?

O Smart POS é muito mais do que uma maquininha para receber vendas com cartão de crédito e débito. Ele pode executar um sistema completo de vendas de qualquer produto ou serviço, ler as etiquetas de código de barras ou QRCode, receber de forma segura a pagamentos de cartões e imprimir relatórios gerenciais, etc. Nos Estados nos quais roda o SAT Fiscal, o Smart POS pode, ainda, ser integrado ao sistema da respectiva Receita Estadual e imprimir o Cupom Fiscal.

É válido também citar algumas opções de terminais cujas aplicações oferecem Split de Transação, que acontece quando uma única transação de pagamento é dividida em mais de uma parte e o dinheiro é creditado diretamente na conta de mais de uma pessoa.

Um bom exemplo é quando o lojista vende um produto de terceiros e recebe uma comissão desta venda. Neste caso, o percentual maior da transação vai para o dono do produto e a comissão cai direto na conta do lojista. Outro caso interessante é o de clínicas médicas, odontológicas, salões de beleza e quaisquer estabelecimentos nos quais o prestador do serviço paga uma comissão sobre o valor recebido pelo serviço prestado ao dono do local.

Há também aplicações Multi-Merchant, que permitem que um mesmo Smart POS seja compartilhado entre mais de um vendedor. Quer um bom exemplo? Um salão de beleza pode ter cada cabeleireiro com sua própria conta junto à adquirente. Assim, ao passar o cartão no mesmo Smart POS, o usuário seleciona o nome do profissional que prestou o serviço e pronto, o dinheiro cai direto na sua conta. E se o salão cobrar uma comissão do profissional, aplica-se aqui o conceito de Split de Transação à aplicação e problema resolvido. E mais: o próprio salão pode vender seus produtos de beleza no mesmo POS. Neste caso, o “profissional” selecionado seria o próprio estabelecimento.

Independente da área de negócio, o Smart POS é um dispositivo que veio para ficar. E ainda há muito a ser explorado nas suas capacidades de ajudar os comerciantes a diminuir custos e aumentar a abrangência de suas vendas.

*Por Marcos Mendes do Rego, Gerente de Projetos e Head de Meios de Pagamentos do Venturus.

Reforma Tributária: qual o melhor modelo para o Brasil? 5799

Impostos

Confira artigo de gerente tributário

O Estado brasileiro precisa de reformas estruturais para alavancar o crescimento econômico do país. E a reforma tributária é a principal delas. Por quê? Primeiramente, nosso sistema de arrecadação e gestão de tributos é uma trava para o desenvolvimento, principalmente pela sua complexidade legislativa, regimes de exceções, multiplicidade de regras, em muitos casos, decorrente de incentivos e isenções, guerras fiscais, resultando em muita burocracia e insegurança jurídica. Outro ponto negativo é que a arrecadação tributária no Brasil não cumpre com a finalidade primordial que é dar ao Governo as condições ideais para atender as necessidades financeiras no âmbito social, da saúde, segurança e bem-estar da população.

Uma amostra desse problema está na comparação com outros países. Na União Europeia, sobre os produtos e serviços incide um único imposto, conhecido por IVA, ou Imposto sobre Valor Agregado. Vamos para um exemplo prático: numa xícara de café em Madri, capital da Espanha, o valor incidido é 7% de imposto, ou seja, se o café custar € 2,00, seria pago € 0,14 de tributo, considerando toda a cadeia, desde o cafeicultor até o estabelecimento comercial. Mas e no Brasil?

Sobre o nosso cafezinho, poderão incidir diretamente quatro tributos diferentes: ICMS, IPI, PIS/PASEP e Confins. A nossa complexidade não se resume apenas no número de tributos. A fórmula de cálculo de cada um deles é outro desafio. A cada operação, o tributo recai sobre o montante do produto, com a possibilidade de apropriação de crédito referente ao tributo pago na operação anterior, todavia, não em todos os casos. Por isso. Por isso, o Brasil tem a maior carga tributária da América Latina e uma das maiores do mundo, com 33% do PIB.

A comparação com outros modelos de tributação é necessária para entendermos o custo do setor privado para atender as exigências do Fisco. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), para atender o Fisco, cada empresa gasta em média 1958 horas por ano. Por pessoa, no Brasil, 1 a cada 200 colaboradores trabalham na área fiscal. Na Europa, 1 a cada 500 e nos Estados Unidos, 1 a cada mil funcionários dedicados à gestão dos tributos. E diante da complexidade e da urgência por reformas que possam nos tirar desse patamar de paralisia econômica, é inevitável a pergunta: o que fazer?

O primeiro passo é buscar medidas de simplificação do sistema e, com isso, facilitar a vida das empresas em relação às obrigações tributárias. É preciso simplificar os processos de declaração e pagamentos de tributos, principalmente para as empresas de menor porte. O Fisco tem alguns projetos de simplificação de obrigações acessórias, mas precisamos avançar ainda mais. A segunda iniciativa é buscar a unificação de tributos. A proposta de extinção de alguns tributos, ou unificar a forma de arrecadação, que está em discussão no Congresso Nacional, agrada parte do setor produtivo do país que tem enfrentado o fardo de lidar com as excessivas atualizações das regras normativas. Hoje, temos mais de 200 mil normas fiscais em vigência no país, sendo 30 novas regras ou atualizações por dia que, na média, segundo o IBTP. A unificação vai atender uma demanda por menos burocracia do sistema.

Mas há um grande risco se a reforma tributária entrar em vigor de uma vez. O melhor modelo seria uma adoção fragmentada. A primeira etapa, ou facultativa, serviria para dar fôlego para as empresas entenderem o cenário e realizarem as mudanças necessárias para uma adaptação mais eficiente. A segunda fase é a transitória, especifica para maiores tributações ou tributos de maior complexidade como os tributos indiretos.

Passadas as duas primeiras fases, com um intervalo de 6 a 9 meses entre elas, as empresas estariam prontas para fazer parte de um novo sistema tributário, mais justo e equilibrado, além de permitir um ingresso na terceira etapa, a obrigatória, com segurança e sem nenhum risco de sofrer possíveis penalidades.

Uma simplificação na forma de arrecadação dos tributos vai possibilitar uma redução de todo esforço necessário das empresas para gestão e pagamento de impostos, além de promover, de forma imediata, um aumento de produtividade das companhias e elevaria a competitividade do Brasil no cenário internacional e atrairia o investidor estrangeiro.

*Por Leonel Siqueira, Gerente Tributário da Synchro.