O impacto da transformação digital na carreira dos profissionais de TI 211

Tendências vem para atender novo perfil de cliente

A adoção da transformação digital pelas empresas, baseada na melhor experiência do cliente, trouxe um impacto na carreira dos profissionais de Tecnologia da Informação. A tendência do digital veio para atender um novo perfil de cliente, mais imediatista e dinâmico e que, portanto, exige um atendimento mais ágil e customizado, impactando inclusive naquele que o atende.

Reprodução

Em outras palavras, a dinâmica, que antes conduzida com entregas de longo prazo, hoje precisa dar lugar a entregas ágeis e que atendam rapidamente a demanda de inovação do mercado. E como o profissional deve se preparar para atender este novo perfil de consumo?

Neste primeiro artigo da série, a proposta é mostrar que o cenário está mudando ano a ano e com certa dificuldade de previsibilidade, pois a inovação tem a característica de círculos mais curtos. Levando em consideração este estigma, os profissionais devem buscar especialização de curta duração que abordem novas capacidades e tecnologias. É diferente da formação que estávamos acostumados no século XX. Hoje, uma especialização de dois anos já corre o risco de se tornar obsoleta antes mesmo de sua conclusão, impedindo o profissional de testá-la no mercado de trabalho.

A exemplo das metodologias de desenvolvimento atuais, como o Ágile, no qual o desenvolvimento é realizado por etapas e testado constantemente, o profissional também deve buscar qualificações curtas e constantes para atender rapidamente a demanda vigente no momento, ou seja, é preciso estar adaptado ao mercado de trabalho e preparado para atender a demanda do cliente.

Ou seja, não é preciso deixar de lado seu conhecimento adquirido ao longo dos anos, mas somar a essa bagagem as necessidades do negócio atendido. Por exemplo, um arquiteto deve unir sua experiência na criação de uma maquete física para transformá-la numa versão virtual.

E o profissional de TI? Esse deve se inteirar das demandas dos segmentos em que atua para buscar a especialização rapidamente. Quem não se requalificar, não conseguirá se manter no mercado. E, qual a responsabilidade das empresas nessa jornada de transformação em ritmo acelerado?

A maioria das empresas toma decisões com base no ROI, mas no caso da inovação, fica difícil quantificar o retorno sobre o investimento e, por isso, acabam deixando o tema apenas na agenda. Porém, uma boa saída é criar grupos de discussão para promover programas de transformação digital e, posteriormente, colocá-los em prática.

Quando se fala em transformação digital, todos pensam na tecnologia em si, mas se esquecem do impacto que ela traz na vida das pessoas. Mais do que nunca, estamos vendo um cenário de humanização e customização da tecnologia, no qual o usuário pode se sentir único. A experiência do usuário mudou e isso exige novos perfis profissionais de atendimento.

A academia ainda tem seu papel nas especializações, mas as circunstâncias exigem que elas sejam aprimoradas constante e rapidamente, enquanto as empresas discutem e as testam para melhorar a experiência do usuário. Quem vem nessa jornada? Juntos, academia, empresas e profissionais podem construir e prover uma experiência única para essa geração tão exigente e sob demanda. O tema é complexo e merece novas discussões que serão abordadas em outros artigos que tratam do tema.

5 dicas para tirar uma empresa do vermelho 9473

Executivo

Especialista explica detalhes que podem fazer toda diferença

A crise financeira trouxe grandes desafios para os empreendedores brasileiros. Com isso, a redução de custos exige o corte de itens considerados supérfluos e outras medidas são tomadas pelas empresas para melhorar a rentabilidade dos negócios.

“Aqueles gastos que parecem pequenos podem comprometer os recursos da empresa e significar a diferença entre sobreviver ou fechar o seu negócio”, destaca Samuel Lopes, sócio da Tiex, empresa de consultoria e gestão financeira corporativa.

Conforme Lopes, além de reduções de custos, controle pode gerar receita extra, que deve ser reinvestida no negócio, como novos produtos, serviços, bonificações e incentivos para colaboradores, no crescimento da empresa em geral, e até no lucro dos acionistas.

O especialista elenca cinco iniciativas que as empresas precisam ter para conseguirem se recuperar e crescer.

Plano efetivo: Antes de fazer qualquer corte, é necessário elaborar um planejamento financeiro/estratégico que tenha uma análise do passado e do presente, assim como uma projeção do futuro. “É importante lembrar que esta projeção tem que ser muito bem desenhada, considerando, por exemplo, as dificuldades atuais do mercado”, diz o sócio da Tiex.

Acompanhamento mensal: A viabilização de um acompanhamento mensal é imprescindível para que a empresa consiga obter resultados mais eficazes. Só assim os gestores poderão ter percepção de suas necessidades para a tomada das melhores decisões possíveis. “Qualquer desvio deve ser apontado e discutido. O redesenho dos processos internos e otimizações tecnológicas pode ser muito efetivo”, explica.

Cortes menos impactantes: Deve-se saber onde é possível cortar sem interferir nos negócios. Vender ativos que fogem ao “core business” é desnecessário. “Ás vezes, as empresas entram em um mercado que possuem pouco conhecimento e acabam gastando recursos onde não tem experiência. Já uma renegociação de contratos com fornecedores, seguradoras e bancos é primordial”, afirma Samuel.

Planejamento Tributário: O planejamento fiscal é uma forma de minimizar os custos fiscais. Sucintamente, o planejamento fiscal terá de respeitar a lei de forma integral, procurando negócios jurídicos com menor ou nula tributação. Com isso, é possível se ter um maior controle dos gastos administrativos.

Aprender: Épocas de crise são ocasiões para aprender, pensar muito e ter resiliência. “Se, com a crise, conseguimos renegociar contratos, minimizar custos administrativos, redesenhar processos para que se tornem mais efetivos, pagar menos impostos com um planejamento adequado, por que não fazíamos antes?”, questiona.

Assurant realiza evento sobre inovação e transformação digital 3234

Tecnologia

Oportunidade reuniu parceiros e convidados para promover aprendizagem, troca de experiências e potencialização de negócios

A Assurant reuniu profissionais dos setores de seguros, finanças, automóveis, tecnologia, telefonia e varejo em evento, na cidade de São Paulo (SP), com o objetivo de promover a troca de experiências dos mais diversos segmentos de mercado, além de discutir tendências para a transformação de seus negócios e a venda de seguros no Brasil.

Os painéis e palestras do evento Inovação e Solução trataram de temas como gerenciamento de dados pessoais, estratégias de fidelização de clientes, potencialização de negócios, transformação digital e experiências do consumidor. O presidente da companhia, Ricardo Fiuza, destacou durante o encontro: “É importante abordar o futuro do mercado segurador, mas o crucial é discutir quais são os caminhos para torná-lo cada vez mais real”.

Sobre as possibilidades trazidas no âmbito de segurança e tecnologia, Michael Becker, consultor internacional na Assurant, lembrou da importância do uso dos dados de clientes para o desenvolvimento de produtos compatíveis com suas necessidades. “Nossas vidas se tornam cada dia mais digitais. Pesquisas mostram que nos próximos três a cinco anos haverá mais mudanças do que nos últimos 10. Estima-se que até 2020 cada indivíduo terá 10 dispositivos conectados ao mesmo tempo. Essa evolução traz facilidades e também muitas oportunidades. Hoje temos bancos de dados maravilhosos, que podem ser utilizados de forma estratégica para gerar benefícios aos consumidores, por exemplo”, analisa o executivo. Porém, ao mesmo tempo, é preciso ficar alerta com a quantidade de informações pessoais que deixamos para trás nessa vida conectada. “Não fornecemos somente dados como e-mail, nome e endereço, é importante termos a consciência de que as empresas têm acesso ao nosso perfil comportamental e sabermos como elas estão lidando com estes dados”, complementa Becker.

Ainda no âmbito tecnológico, a consultora Marta Gabriel, uma das pensadoras digitais mais influentes do Brasil, trouxe à tona a discussão sobre a mentalidade em tempos conectados. “A tecnologia recria a realidade. Produtos e serviços devem ser coadjuvantes da experiência do consumidor, ou seja, não queremos consumir nada que não seja atrativo. As emoções e as experiências são diferenciais competitivos do nosso século”, explica Marta.

Os consumidores, como peças fundamentais para o mercado girar e evoluir, foram objetos principais de todos os debates. De acordo com os participantes, é preciso escutar o público para cativá-lo a continuar consumindo determinada marca e indicá-la a outras pessoas. Em um dos painéis foram apresentados dados que mostram que um cliente do ramo automotivo pode demorar até 18 anos para retornar a uma marca após migrar para outra. Este é apenas um dos exemplos da complexidade para fidelização de consumidores, que permeia diversos setores, e exige o desenvolvimento de técnicas e soluções constantes, como treinamentos periódicos de força de vendas.

Para exemplificar como a experiência do consumidor é peça chave para o sucesso de todo empreendimento, o executivo Claudemir Oliveira, presidente e fundador da “Seeds of Dreams Institute”, empresa americana sediada na Florida, EUA, apresentou cases de ações na Disney onde o cliente é visto como um convidado especial e único. “Um dos sucessos em ativações foi o movimento que criamos nos parques para receber os brasileiros, que em um determinado momento eram os convidados mais assíduos e contribuíam para a lotação dos parques e aumento das filas. Ações como a inclusão de guias brasileiros, por uma questão de cultura e não de idioma, e mapas traduzidos em português, foram alguns dos detalhes elaborados para atender com exclusividade os consumidores do Brasil”, explicou Oliveira. Na Disney todos os produtos e experiências são planejados para serem memoráveis e motivar o visitante a voltar, além de indicar para amigos e familiares.

Cresce preocupação do consumidor brasileiro em relação ao meio ambiente 2726

Na Semana do Meio Ambiente, GfK identifica que cresce a preocupação do brasileiro com o impacto ambiental dos produtos que consome

Nesta semana, mais precisamente no dia 05 de junho, foi comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Em datas como essa, fica mais latente a preocupação de todos com o futuro do planeta, bem como com as medidas que possam minorar os danos daquilo que se consome e se utiliza. Para entender melhor como a sociedade brasileira vem se posicionando com relação à preocupação ambiental, a GfK foi descobrir quais as tendências de comportamento do consumidor brasileiro que mais ganharam importância nos últimos anos.

De acordo com a GfK, os consumidores pesquisados são agrupados seguindo uma escala de valores em relação à vida (*). Entre os sete grupos avaliados, o Socialrationals (perfil dos que veem o mundo como um grande e diversificado lugar, onde as diferenças devem ser celebradas e respeitadas) é aquele que revela um comportamento mais focado em responsabilidade e tolerância social. 67% deles esperam que marcas e empresas devam ter responsabilidade ambiental; 57% declaram que se sentem culpados quando fazem algo que desrespeita o meio ambiente e também 53% afirmaram que onde e como um produto é produzido é muito importante para ele.

Outro fator que mostra o engajamento dos consumidores com o meio ambiente é que quase 50% leem rótulos de produtos de algumas categorias (alimentos, cuidados pessoais e limpeza da casa) buscando informações relacionadas à sustentabilidade, tais como: se são naturais ou produzidos com ingredientes naturais, se são livres de transgênicos, se são produzidos usando práticas sustentáveis em seus processos e se são orgânicos.

Ainda surfando a “onda verde”, a tendência de comportamento que ganhou bastante relevância no Brasil, entre as 12 que foram mapeadas, é aquela classificada como “Eco cidadania”. Ela, que cresce substancialmente de 2012 para 2016, tornando-se a maior tendência atualmente no Brasil. O que a caracteriza é a mudança de comportamento para reduzir o impacto pessoal sobre o meio ambiente. Para 64% dos respondentes, as empresas devem ser ambientalmente responsáveis e 56% acham que as empresas devem fornecer produtos e serviços de qualidade.

Para Ana Guitti, Diretora de Relacionamento da GfK, estudos como este apontam direções importantes para as empresas. “Essas tendências mostram que há uma grande oportunidade para as empresas se apropriarem cada vez mais do discurso “verde” em suas marcas e embalagens, que certamente são canais essenciais de comunicação com o consumidor” argumenta Ana.

Segundo Ana, há claros sinais no comportamento dos consumidores. “As marcas que ajudarem a propagar a voz da “onda verde” certamente serão mais consideradas pelos consumidores nas suas tomadas de decisão”, aponta a executiva. “Empresas podem elevar a discussão de conscientização ambiental com o consumidor, mostrando os benefícios de consumir produtos que reduzam o impacto ambiental”, finaliza.

A Revista JRS abordou em edição recente, com recorde de leituras, as relações dos negócios do mercado de seguros com o tema. Especialistas diferenciam cláusulas e proteções securitárias existentes diante da crescente demanda por proteção e cuidados com o meio ambiente.

Clique aqui e confira o estudo completo.

(*) De acordo com a GfK, os consumidores são agrupados seguindo uma escala de valores em relação à vida. São eles: Tradicionalists, Survivors, Archievers, Nurturers, Hedonists, Socialrationals e Self-directeds.

A evolução das maquininhas 9852

Máquina

Confira artigo do Gerente de Projetos e Head de Meios de Pagamentos do Venturus

Na década de 1990, as maquininhas de cartão de crédito não tinham nada de eletrônico. Também conhecidas hoje como “Terminal de Pagamento” ou simplesmente “POS” (do inglês Point of Sales), naquela época elas eram completamente mecânicas e funcionavam apenas para tirar a imagem do cartão nas duas vias do recibo da compra. Para registrar a transação e receber a compra, o vendedor telefonava para a empresa adquirente para solicitar o código de autorização da transação. Era um processo lento e dificultava o trabalho dos comerciantes. Depois de algum tempo, surgiram os cartões com tarja magnética e, com eles, os terminais com o respectivo leitor e comunicação dial-up. O envio da transação de pagamento passou, então, a ser feito online, via internet discada. Porém, a utilização da tarja magnética se mostrou cada vez mais suscetível a fraudes e, assim, o mercado evoluiu novamente e nossos cartões passaram a possuir chips. Os terminais de pagamento, consequentemente, também receberam o respectivo leitor de chip e todas as mudanças internas que o uso desta tecnologia requer.

Mas as transformações dos terminais não pararam por aí. Foram adicionadas novas opções de comunicação como cabo ethernet, Wi-Fi, SIM cards 2G/3G/4G (da rede de telefonia celular) e também bluetooth. Atualmente, terminais mais modernos também podem oferecer a opção de leitura de cartões de chip sem necessidade de contato com as máquinas (contactless), além da opção das novas carteiras virtuais via smartphones e também por meio dos dispositivos wearables, como pulseiras.

Além do uso dos mesmos SIM cards utilizados na telefonia celular, a história dos terminais de pagamento mostra mais algumas semelhanças com a do próprio telefone celular. O telefone surgiu para chamadas sem fio. Depois, passou a ter SMS, aplicativos embarcados, acesso à internet via tecnologia WAP, câmeras digitais e, por fim, surgiram os smartphones e suas lojas de aplicativos como conhecemos hoje.

De forma similar, o POS também recebeu alguns destes itens ao longo de sua história, como displays monocromáticos, displays coloridos, câmeras digitais, além das contínuas melhorias de definição de tela.

Porém, o que mais chama a atenção é o histórico de celular e terminal terem sido criados para uma única tarefa: chamadas telefônicas e pagamentos com cartão, respectivamente. Hoje, ambos recebem o prefixo “SMART” em seus nomes, de forma extremamente justa, devido às suas capacidades como dispositivos multitarefas. Assim como o smartphone, o Smart POS possui a capacidade de executar aplicativos de qualquer área de negócio, mas com a vantagem de se integrar com a sua função original, que é a de receber pagamentos.

O mais recente capítulo da evolução dos POS tem foco no sistema operacional. Os principais fabricantes do mercado já apresentaram suas versões dos dispositivos com Android e agora investem nas estruturas de suas respectivas lojas de aplicativos.

Vamos a mais comparações: Os smartphones e suas excelentes câmeras praticamente acabaram com o mercado de câmeras digitais de uso pessoal. E por que não imaginar que um POS com câmera rodando um aplicativo de vendas, aliado à evolução do QRCode sobre o código de barras, poderia pôr fim aos leitores óticos de bancada que conhecemos hoje? Tecnologicamente falando, isto já é realidade!

Como tirar proveito?

O Smart POS é muito mais do que uma maquininha para receber vendas com cartão de crédito e débito. Ele pode executar um sistema completo de vendas de qualquer produto ou serviço, ler as etiquetas de código de barras ou QRCode, receber de forma segura a pagamentos de cartões e imprimir relatórios gerenciais, etc. Nos Estados nos quais roda o SAT Fiscal, o Smart POS pode, ainda, ser integrado ao sistema da respectiva Receita Estadual e imprimir o Cupom Fiscal.

É válido também citar algumas opções de terminais cujas aplicações oferecem Split de Transação, que acontece quando uma única transação de pagamento é dividida em mais de uma parte e o dinheiro é creditado diretamente na conta de mais de uma pessoa.

Um bom exemplo é quando o lojista vende um produto de terceiros e recebe uma comissão desta venda. Neste caso, o percentual maior da transação vai para o dono do produto e a comissão cai direto na conta do lojista. Outro caso interessante é o de clínicas médicas, odontológicas, salões de beleza e quaisquer estabelecimentos nos quais o prestador do serviço paga uma comissão sobre o valor recebido pelo serviço prestado ao dono do local.

Há também aplicações Multi-Merchant, que permitem que um mesmo Smart POS seja compartilhado entre mais de um vendedor. Quer um bom exemplo? Um salão de beleza pode ter cada cabeleireiro com sua própria conta junto à adquirente. Assim, ao passar o cartão no mesmo Smart POS, o usuário seleciona o nome do profissional que prestou o serviço e pronto, o dinheiro cai direto na sua conta. E se o salão cobrar uma comissão do profissional, aplica-se aqui o conceito de Split de Transação à aplicação e problema resolvido. E mais: o próprio salão pode vender seus produtos de beleza no mesmo POS. Neste caso, o “profissional” selecionado seria o próprio estabelecimento.

Independente da área de negócio, o Smart POS é um dispositivo que veio para ficar. E ainda há muito a ser explorado nas suas capacidades de ajudar os comerciantes a diminuir custos e aumentar a abrangência de suas vendas.

*Por Marcos Mendes do Rego, Gerente de Projetos e Head de Meios de Pagamentos do Venturus.

Reforma Tributária: qual o melhor modelo para o Brasil? 5799

Impostos

Confira artigo de gerente tributário

O Estado brasileiro precisa de reformas estruturais para alavancar o crescimento econômico do país. E a reforma tributária é a principal delas. Por quê? Primeiramente, nosso sistema de arrecadação e gestão de tributos é uma trava para o desenvolvimento, principalmente pela sua complexidade legislativa, regimes de exceções, multiplicidade de regras, em muitos casos, decorrente de incentivos e isenções, guerras fiscais, resultando em muita burocracia e insegurança jurídica. Outro ponto negativo é que a arrecadação tributária no Brasil não cumpre com a finalidade primordial que é dar ao Governo as condições ideais para atender as necessidades financeiras no âmbito social, da saúde, segurança e bem-estar da população.

Uma amostra desse problema está na comparação com outros países. Na União Europeia, sobre os produtos e serviços incide um único imposto, conhecido por IVA, ou Imposto sobre Valor Agregado. Vamos para um exemplo prático: numa xícara de café em Madri, capital da Espanha, o valor incidido é 7% de imposto, ou seja, se o café custar € 2,00, seria pago € 0,14 de tributo, considerando toda a cadeia, desde o cafeicultor até o estabelecimento comercial. Mas e no Brasil?

Sobre o nosso cafezinho, poderão incidir diretamente quatro tributos diferentes: ICMS, IPI, PIS/PASEP e Confins. A nossa complexidade não se resume apenas no número de tributos. A fórmula de cálculo de cada um deles é outro desafio. A cada operação, o tributo recai sobre o montante do produto, com a possibilidade de apropriação de crédito referente ao tributo pago na operação anterior, todavia, não em todos os casos. Por isso. Por isso, o Brasil tem a maior carga tributária da América Latina e uma das maiores do mundo, com 33% do PIB.

A comparação com outros modelos de tributação é necessária para entendermos o custo do setor privado para atender as exigências do Fisco. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), para atender o Fisco, cada empresa gasta em média 1958 horas por ano. Por pessoa, no Brasil, 1 a cada 200 colaboradores trabalham na área fiscal. Na Europa, 1 a cada 500 e nos Estados Unidos, 1 a cada mil funcionários dedicados à gestão dos tributos. E diante da complexidade e da urgência por reformas que possam nos tirar desse patamar de paralisia econômica, é inevitável a pergunta: o que fazer?

O primeiro passo é buscar medidas de simplificação do sistema e, com isso, facilitar a vida das empresas em relação às obrigações tributárias. É preciso simplificar os processos de declaração e pagamentos de tributos, principalmente para as empresas de menor porte. O Fisco tem alguns projetos de simplificação de obrigações acessórias, mas precisamos avançar ainda mais. A segunda iniciativa é buscar a unificação de tributos. A proposta de extinção de alguns tributos, ou unificar a forma de arrecadação, que está em discussão no Congresso Nacional, agrada parte do setor produtivo do país que tem enfrentado o fardo de lidar com as excessivas atualizações das regras normativas. Hoje, temos mais de 200 mil normas fiscais em vigência no país, sendo 30 novas regras ou atualizações por dia que, na média, segundo o IBTP. A unificação vai atender uma demanda por menos burocracia do sistema.

Mas há um grande risco se a reforma tributária entrar em vigor de uma vez. O melhor modelo seria uma adoção fragmentada. A primeira etapa, ou facultativa, serviria para dar fôlego para as empresas entenderem o cenário e realizarem as mudanças necessárias para uma adaptação mais eficiente. A segunda fase é a transitória, especifica para maiores tributações ou tributos de maior complexidade como os tributos indiretos.

Passadas as duas primeiras fases, com um intervalo de 6 a 9 meses entre elas, as empresas estariam prontas para fazer parte de um novo sistema tributário, mais justo e equilibrado, além de permitir um ingresso na terceira etapa, a obrigatória, com segurança e sem nenhum risco de sofrer possíveis penalidades.

Uma simplificação na forma de arrecadação dos tributos vai possibilitar uma redução de todo esforço necessário das empresas para gestão e pagamento de impostos, além de promover, de forma imediata, um aumento de produtividade das companhias e elevaria a competitividade do Brasil no cenário internacional e atrairia o investidor estrangeiro.

*Por Leonel Siqueira, Gerente Tributário da Synchro.