A evolução das maquininhas 4724

Máquina

Confira artigo do Gerente de Projetos e Head de Meios de Pagamentos do Venturus

Na década de 1990, as maquininhas de cartão de crédito não tinham nada de eletrônico. Também conhecidas hoje como “Terminal de Pagamento” ou simplesmente “POS” (do inglês Point of Sales), naquela época elas eram completamente mecânicas e funcionavam apenas para tirar a imagem do cartão nas duas vias do recibo da compra. Para registrar a transação e receber a compra, o vendedor telefonava para a empresa adquirente para solicitar o código de autorização da transação. Era um processo lento e dificultava o trabalho dos comerciantes. Depois de algum tempo, surgiram os cartões com tarja magnética e, com eles, os terminais com o respectivo leitor e comunicação dial-up. O envio da transação de pagamento passou, então, a ser feito online, via internet discada. Porém, a utilização da tarja magnética se mostrou cada vez mais suscetível a fraudes e, assim, o mercado evoluiu novamente e nossos cartões passaram a possuir chips. Os terminais de pagamento, consequentemente, também receberam o respectivo leitor de chip e todas as mudanças internas que o uso desta tecnologia requer.

Mas as transformações dos terminais não pararam por aí. Foram adicionadas novas opções de comunicação como cabo ethernet, Wi-Fi, SIM cards 2G/3G/4G (da rede de telefonia celular) e também bluetooth. Atualmente, terminais mais modernos também podem oferecer a opção de leitura de cartões de chip sem necessidade de contato com as máquinas (contactless), além da opção das novas carteiras virtuais via smartphones e também por meio dos dispositivos wearables, como pulseiras.

Além do uso dos mesmos SIM cards utilizados na telefonia celular, a história dos terminais de pagamento mostra mais algumas semelhanças com a do próprio telefone celular. O telefone surgiu para chamadas sem fio. Depois, passou a ter SMS, aplicativos embarcados, acesso à internet via tecnologia WAP, câmeras digitais e, por fim, surgiram os smartphones e suas lojas de aplicativos como conhecemos hoje.

De forma similar, o POS também recebeu alguns destes itens ao longo de sua história, como displays monocromáticos, displays coloridos, câmeras digitais, além das contínuas melhorias de definição de tela.

Porém, o que mais chama a atenção é o histórico de celular e terminal terem sido criados para uma única tarefa: chamadas telefônicas e pagamentos com cartão, respectivamente. Hoje, ambos recebem o prefixo “SMART” em seus nomes, de forma extremamente justa, devido às suas capacidades como dispositivos multitarefas. Assim como o smartphone, o Smart POS possui a capacidade de executar aplicativos de qualquer área de negócio, mas com a vantagem de se integrar com a sua função original, que é a de receber pagamentos.

O mais recente capítulo da evolução dos POS tem foco no sistema operacional. Os principais fabricantes do mercado já apresentaram suas versões dos dispositivos com Android e agora investem nas estruturas de suas respectivas lojas de aplicativos.

Vamos a mais comparações: Os smartphones e suas excelentes câmeras praticamente acabaram com o mercado de câmeras digitais de uso pessoal. E por que não imaginar que um POS com câmera rodando um aplicativo de vendas, aliado à evolução do QRCode sobre o código de barras, poderia pôr fim aos leitores óticos de bancada que conhecemos hoje? Tecnologicamente falando, isto já é realidade!

Como tirar proveito?

O Smart POS é muito mais do que uma maquininha para receber vendas com cartão de crédito e débito. Ele pode executar um sistema completo de vendas de qualquer produto ou serviço, ler as etiquetas de código de barras ou QRCode, receber de forma segura a pagamentos de cartões e imprimir relatórios gerenciais, etc. Nos Estados nos quais roda o SAT Fiscal, o Smart POS pode, ainda, ser integrado ao sistema da respectiva Receita Estadual e imprimir o Cupom Fiscal.

É válido também citar algumas opções de terminais cujas aplicações oferecem Split de Transação, que acontece quando uma única transação de pagamento é dividida em mais de uma parte e o dinheiro é creditado diretamente na conta de mais de uma pessoa.

Um bom exemplo é quando o lojista vende um produto de terceiros e recebe uma comissão desta venda. Neste caso, o percentual maior da transação vai para o dono do produto e a comissão cai direto na conta do lojista. Outro caso interessante é o de clínicas médicas, odontológicas, salões de beleza e quaisquer estabelecimentos nos quais o prestador do serviço paga uma comissão sobre o valor recebido pelo serviço prestado ao dono do local.

Há também aplicações Multi-Merchant, que permitem que um mesmo Smart POS seja compartilhado entre mais de um vendedor. Quer um bom exemplo? Um salão de beleza pode ter cada cabeleireiro com sua própria conta junto à adquirente. Assim, ao passar o cartão no mesmo Smart POS, o usuário seleciona o nome do profissional que prestou o serviço e pronto, o dinheiro cai direto na sua conta. E se o salão cobrar uma comissão do profissional, aplica-se aqui o conceito de Split de Transação à aplicação e problema resolvido. E mais: o próprio salão pode vender seus produtos de beleza no mesmo POS. Neste caso, o “profissional” selecionado seria o próprio estabelecimento.

Independente da área de negócio, o Smart POS é um dispositivo que veio para ficar. E ainda há muito a ser explorado nas suas capacidades de ajudar os comerciantes a diminuir custos e aumentar a abrangência de suas vendas.

*Por Marcos Mendes do Rego, Gerente de Projetos e Head de Meios de Pagamentos do Venturus.

Relacionamentos promovem amizades e resultados 2700

Pessoas

Confira o artigo de Adelino Cruz para a edição 212 da Revista JRS

Quando faço palestras ou ministro um curso, principalmente no que trata em qualidade de atendimento, procuro deixar claro que, além da vantagem de aprender como conquistar um novo cliente, é preciso ter sensibilidade para perceber que esta oportunidade pode lhe garantir um bom relacionamento ou até mesmo um novo amigo.

Vivemos uma época em que muitos não se aperceberam da importância de dedicar um tempo para conversar com pessoas. A tecnologia da comunicação, vital para a modernidade e para atingir o maior número possível de pessoas favorece os relacionamentos e negócios, mas nem sempre aproxima fisicamente as pessoas. Quem já viveu mais tempo sabe muito bem da importância do contato pessoal, do olho no olho e, principalmente, do diálogo que se estabelece com o poder de conseguir um sim imediato para o fechamento de um negócio ou até mesmo criar vínculos favoráveis para um relacionamento maior. Uma amizade favorecerá novas indicações para o fechamento de novos negócios.

Se por um lado os e-mails levam mensagens instantaneamente, por outro lado, é comum não haver retorno e muito menos a possibilidade de cobrar por uma resposta, pois não houve aproximação ou relacionamento estabelecido com algum profissional, muito menos a possibilidade de novos contatos.

Não quero externar com isso que o uso da tecnologia não é vital para os dias atuais. Particularmente utilizo muito os meios existentes, que tem uma finalidade importante para o mundo moderno em que vivemos. Já não podemos mais viver sem a tecnologia existente, que será cada vez mais importante para a saúde, para os negócios e para o sucesso de qualquer profissional, empresa ou atividade. Isto não exclui o tema proposto, pois é possível afirmar que os relacionamentos promovem resultados além de amizades, que podem vir a ser prazerosos para qualquer profissional. As exigência do mundo em que vivemos faz com que a solidão tenha lugar garantido para milhões de pessoas no mundo que sofrem de ansiedade, angustia ou mesmo depressão. Mesmo aqueles que ocupam cargos importantes, tanto na vida pública quanto privada. Pessoas estão rodeadas de pessoas que não tem nenhuma aproximação além daquela exigida pelo trabalho.

A insônia toma conta de muitos. Ao ficarem a sós sentem o pavor da solidão. Não ter alguém para confidenciar suas alegrias e tristezas ou mesmo estabelecer um dialogo que não seja trabalho alimenta o sofrimento causando doenças emocionais. Faltam relacionamentos pessoais.

O trabalho e os negócios, em geral, promovem relacionamentos, que não raras vezes se transformam em grandes amizades, evitando que a solidão seja a companheira fora do trabalho. Convido-os a refletirem sobre isso. Uma coisa não exclui a outra. O ser humano só vive bem quando realiza seus objetivos e soma relacionamentos que o tornam humano e feliz.

20% dos sinistros de automóveis são oriundos de fraude no RS 4011

Guacir de Llano Bueno é presidente do SindSeg-RS

Presidente do Sindicato das Seguradoras produziu artigo para o jornal Correio do Povo

O presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio Grande do Sul (Sindseg/RS), Guacir de Llano Bueno, brindou os leitores do jornal Correio do Povo com um artigo revelador. Segundo o líder sindical, estima-se que 20% dos sinistros de automóveis no Estado são oriundos de pequenas fraudes. “Isso representa mais de R$ 200 milhões no ano, sendo pagos indevidamente pelos segurados”.

Guacir Bueno cita como exemplo o motorista particular de aplicativos, que não informa a companhia da sua atividade e na hora do acidente “inventa alguma desculpa para não perder a cobertura”. “Pode parecer insignificante, mas quem acaba pagando esta conta somos e você”, complementou.

Confira o artigo na íntegra:

Todo brasileiro está cansado de se sentir passado para trás. É um imposto que sobe aqui, sem contrapartida em área alguma, um político que desviou milhões ali e uma burocracia retrógrada acolá. Porém, muitas vezes esbravejamos contra os políticos e corruptos, mas não prestamos atenção aos nossos próprios hábitos.

Que atire a primeira pedra aquele que nunca viu uma longa fila de carros, resolveu passar pelo lado e depois cortou todo mundo para entrar mais na frente, trancando ainda mais o trânsito. Ou aquele que parou em local proibido e disse: “Foi só pra descarregar uma coisinha de nada, não foi nem cinco minutos”. Nossos pequenos deslizes estão aí no dia-a-dia para quem quiser fazer autocrítica. E desculpa é o que não falta: estava atrasado, não tinha lugar, foi só desta vez, e por aí vai.

Aparentemente estas pequenas transgressões não prejudicam tanto os demais, mas será? No mercado segurador temos um dado chocante: estima-se que 20% dos sinistros de automóveis no RS são oriundos de pequenas fraudes. Isso representa mais de R$ 200 milhões no ano, sendo pagos indevidamente pelos contratantes de seguros, através das seguradoras. Pois o dinheiro das indenizações é retirado do fundo comum, composto pelos valores pagos pelos segurados e administrados pelas Seguradoras. Como exemplo podemos citar o caso daquele motorista de aplicativo que não informa a sua seguradora em relação a sua atividade e na hora do acidente inventa alguma desculpa para tentar não perder a cobertura. Pode parecer insignificante, mas quem acaba pagando esta conta somos eu e você. Talvez o grande problema do país nem seja a impunidade. Talvez seja apelidar estas nossas pequenas corrupções e transgressões do dia-a-dia de jeitinho brasileiro.

Conhecimento e entusiasmo atingem objetivos 6132

Confiança

Confira o artigo de Adelino Cruz para a edição 211 da Revista JRS

O Brasil vive momentos de grandes dificuldades. A população sofre as consequências de uma crise que traz sofrimento para a população. Os noticiários provocam tristeza noticiando, a cada dia, a morte de inocentes que infelicitam toda a Nação.

Um povo que tem muito amor pelo Brasil pode acreditar que vai melhorar. Isto tem um grande significado, pois quem possui esperança cultivada dentro de seu ser, sempre encontra forças para ir adiante, apostando no futuro e na sua capacidade pessoal de vencer dificuldades.

Este mesmo povo mantém o entusiasmo, que nada mais é do que o prazer de desenvolver alguma atividade com paixão e dedicação, mantendo o espírito ativo, no sentido de atingir metas e objetivos vencendo qualquer dificuldade. Pode se ter entusiasmo por muitas coisas, desde as mais simples que nos desafiam no dia a dia até mesmo as grandes conquistas que todos desejam. Ter entusiasmo é sentir que tudo é possível, porque é um estado de espírito que muitos tem e cultivam pois entendem que é um instrumento eficaz para atingir objetivos.

Trabalhar, estudar, praticar esportes ou qualquer outra atividade que se faz com entusiasmo e dedicação sempre leva ao sucesso pessoal e profissional. Ao abordar este tema queremos alertar aos profissionais de todas as áreas, que busquem dentro de si o entusiasmo que gera motivação para enfrentar os desafios da vida. Não há crise que vença um profissional motivado, pois ele sabe que cultivar momentos de dificuldade só serve para impedir que se atinja os objetivos fixados.

O entusiasmo gera alegria de viver, de sonhar, de conquistar, de vencer. É uma característica essencial para todos os profissionais mas em especial para quem atua em atendimento e vendas, pois ninguém consegue vender nada com desanimo ou pessimismo. Vender ou atender bem, com qualidade, significa passar ao cliente entusiasmo que contagia e torna o cliente um aliado feliz.

O conhecimento está ao alcance de todos que possuem a chama do vencedor, mesmo nas classes menos favorecidas onde existem belos exemplos de vencedores. O entusiasmo é uma manifestação íntima que revela uma saúde emocional capaz de vencer qualquer dificuldade.

A união dessas duas características leva o profissional a trabalhar motivado sabendo que atingirá qualquer objetivo na vida.

Revista 211
Este e muitos outros conteúdos relevantes estão na edição 211 da Revista JRS, agora com nova linha editorial e nova identidade visual

Outra visão sobre a Youse e demais players 9091

“Quem ficar preso ao passado vai desaparecer”, afirma especialista

Conforme antecipado por JRS na última sexta-feira, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) autorizou a operação da Youse como seguradora digital. A plataforma permite a contratação de seguros sem o intermédio do corretor de seguros, através de plataforma online, o que gerou bastante polêmica nos últimos meses.

Segundo a publicação da autarquia que regula o mercado brasileiro de seguros, a decisão em relação a Youse é baseada no disposto na alínea a do artigo 36 do Decreto-Lei nº 73, de 21 de novembro de 1966, além do que consta no processo Susep 15414.630784/2017-67. A seguradora digital agora será uma sociedade anônima e deverá alterar o objeto social, para contemplar a exploração das operações de seguros de danos e pessoas.

O estatuto social da Youse deverá sofrer alterações, após assembleia geral, para adaptação ao que está disposto no artigo 94 do Decreto-Lei nº 73, de 1966, que regula as operações de seguros e resseguros no Brasil. O capital social foi elevado para R$ 40 milhões, divididos em 40 milhões de ações ordinárias nominativas, sem valor nominal.

Para o professor da Escola Nacional de Seguros e diretor de ensino do Sindicato dos Corretores de Seguros do Rio de Janeiro, Arley Boullosa, “o cliente não é de ninguém”. “Não adianta acharmos que o mercado será apenas dos corretores tradicionais, cada vez mais teremos outros agentes entrando, e isso é ótimo”, explica.

Segundo Boullosa, a penetração do ramo segurador ainda é muito pequena. “Demos e damos muito espaço para a concorrência pela ineficiência. Se não abordamos, não vendemos. Se não fazemos, alguém vai fazer, e não adianta ficarmos reclamando”, conta. Para o professor, os corretores precisam investir em qualificação, profissionalismo e “partirem para o ataque e fazer diferente”.

“Quem ficar preso ao passado vai desaparecer. Precisamos ser menos amadores porque não vai parar apenas na Youse. O Brasil tem um potencial enorme, todos querem dinheiro novo e o setor de seguros tem muito”, diz Arley Boullosa.

Para o diretor de ensino do Sincor-RJ é a hora de utilizar a tecnologia a favor dos profissionais da corretagem. “Quem não tiver planejamento, estratégia, metas, gestão de pessoas e foco, vai ficar para trás. Não é hora de reclamarmos, é hora de mudar, reinventar e trabalhar muito mais”, completa.

Para finalizar, o especialista lembra que a operação da Youse não incomoda o corretor que se qualifica. “Podemos aprender muito com a Youse, com seus erros e acertos. Ficar se lamentando é perda de tempo. Sempre vai ter espaço para quem é bom no que faz. Quem não se garante precisa de ‘proteção’. Vamos enfrentar que o mercado mudou e somente os melhores irão seguir em frente”, finaliza.

Procurada, a Susep limitou-se a comentar que a companhia seguiu o mesmo processo de exigências de operação que qualquer outra seguradora.

Inflação da saúde: natural ou artificial? 12463

Leia o artigo do médico Edmond Barras

O professor Raymond Roy-Camille, um dos maiores expoentes da cirurgia de coluna vertebral na 2ª metade do século XX, com frequência citava uma frase que até hoje ficou gravada em meu espírito: “é importante ver o que se olha e acreditar naquilo que se vê”. (il faut voir ce qu’on regarde et il faut croire ce qu’on voie). É um princípio básico de objetividade na vida antes de tomar qualquer decisão. Ao me deparar com a entrevista dada pelo diretor-presidente em exercício da ANS à jornalista Claudia Colucci da Folha de São Paulo tenho a impressão que é exatamente a antítese das sábias palavras do meu antigo mestre. Se trata do problema de sempre: o embate entre a ANS, as operadoras de planos de saúde, os prestadores de serviços e os seus clientes. Parece um velho disco de vinil que toca repetidamente a mesma faixa…

Discussões sem fim sobre o aumento de mensalidades, doentes insatisfeitos com demoras e negativas de operadoras para certos procedimentos, principalmente os de alto custo, queda do número de usuários como consequência do alto índice de desemprego e a inflação do custo da assistência médica muito acima dos índices da inflação geral. A afirmativa que mais me surpreendeu foi que pela lei do mercado, com a redução do número de clientes, os preços de mensalidades deveriam baixar. Mas como dizia um famoso treinador de futebol “esqueceram-se de combinar com os russos”. Nenhum mortal escolhe o momento de ficar doente em função da situação econômica do país; até pelo contrário, o “stress” provocado pelas incertezas econômicas podem até ser geradoras de doenças. O custo do tratamento de uma doença ou de uma cirurgia não depende do índice de inflação do IBGE nem do PIB nacional. Seria muito fácil reduzir custos por decreto, mas já vimos que em passado não tão distante essa política foi um fracasso estrondoso.

Por que não se enxergam (ou não se quer enxergar) as reais causas da inflação médica? A desculpa de praxe é o envelhecimento da população (já que o ser humano não tem prazo de validade) e o progresso da tecnologia médica. É verdade que hoje, nós médicos dispomos de exames e tecnologias tanto para diagnóstico quanto para tratamento que não tínhamos há pouco mais de duas décadas. Como médico e cirurgião de coluna há mais de 40 anos, estou habituado a enxergar essa problemática sob um outro ângulo. O mais preocupante é que em função das novas tecnologias e por causa da queda da qualidade de formação do médico (veja artigo do Drauzio Varella, Folha de São Paulo 06.01.18) a rotina do exame médico praticamente aboliu a anamnese, o bom e velho exame físico, a consulta demorada na qual se chegava ao diagnóstico na grande maioria dos casos, e que acabou sendo substituída por papel e caneta (ou programas de computador) através dos quais se pedem uma enormidade de exames biológicos, radiografias, tomografias, ressonâncias magnéticas, ultrassonografias, exames de medicina nuclear ou outros mais sofisticados, na esperança que o diagnóstico venha sobre uma bandeja. Até o estetoscópio e o martelo de reflexos estão quase aposentados. Isso sem falar no alto índice de exames (mais de 30%) que os pacientes nem se dão ao trabalho de retirar nos laboratórios. Canso de ver no meu consultório pacientes com pilhas de exames, todos eles normais, quando um simples exame de palpação fecharia o diagnóstico. E o “dedoscópio” é de graça. Da mesma forma pacientes com quatro ou cinco ressonâncias magnéticas em um período de 2 ou 3 meses, obviamente todas elas com o mesmo resultado. Se nos aprofundarmos um pouco mais vamos nos deparar com um problema muito mais grave. O alto número de cirurgias de coluna desnecessárias que chegam a 60%. É um crime! Não vamos esquecer que esta hiperindicação em parte é motivada pelos incentivos fraudulentos proporcionados pela Máfia das Próteses.

Portanto senhores administradores e economistas, vamos enxergar o problema na sua origem: os médicos, os hospitais, os laboratórios, etc. Se não houver o incentivo da caneta do médico, do sistema de remuneração fee-for-service que estimula os prestadores de serviços de saúde a complicar e tornar cada vez mais complexos os procedimentos ou evitar que laboratórios dêem participação aos médicos que solicitam mais exames, sem dúvida o custo de assistência terá uma redução significante e rápida. Porém o mais importante é que protegeremos os nossos pacientes de agressões terapêuticas desnecessárias, que levam milhares de pacientes a óbitos, que poderiam ser evitados. Devemos mudar o conceito de que ao não autorizar um procedimento a operadora pensa apenas na economia que irá fazer mas talvez esse fato possa ser encarado como um ato protetor.

Penso que a ANS, as operadoras de planos de saúde, prestadores de serviços, médicos e hospitais deveriam se unir em torno desse conceito.