Os planos de saúde não são o diabo 4307

Confira artigo de Antonio Penteado Mendonça

em gente que sataniza os planos de saúde privados colocando neles a culpa por todas as mazelas do sistema de saúde nacional. Das filas no SUS aos desempregados que perderam seus planos, as operadoras dos planos de saúde privados, para eles, são os vilões da história porque querem ganhar dinheiro com saúde, o que seria um crime.

Minha primeira reticência começa aí. Que profissional que trabalha com saúde não ganha dinheiro exercendo sua profissão? Indo além, será que o melhor dos mundos não seria as Santas Casas serem superavitárias? Se o fossem, não dependeriam do SUS para exercer a misericórdia e oferecer atendimento digno aos milhões de brasileiros que dependem delas.

Não tenho procuração para defender os planos de saúde privados e concordo que as diferenças entre eles são grandes e que uns operam melhor do que outros. O que não quer dizer que sejam todos bandidos ou responsáveis pelas mazelas que condenam milhões de pessoas a um atendimento chinfrim porque o governo não tem mais dinheiro para investir em saúde.

Os planos de saúde privados não são heróis. Não é essa sua função. O que eles prometem e na maioria das vezes entregam é o cumprimento de seus contratos, arcando direta ou indiretamente com os custos dos procedimentos médico-hospitalares de seus consumidores, desde que estejam cobertos.

Mas se os planos de saúde privados não são heróis, também não são demônios, nem estão aí para assombrar a vida de quem tem um problema de saúde e necessita deles. Na imensa maioria das vezes, os clientes são atendidos dentro de rotinas operacionais fáceis e sem nenhuma complicação, bastando a apresentação da carteira do plano para a realização de uma série de procedimentos.

Existem situações em que o segurado é obrigado a solicitar a autorização prévia para a realização dos procedimentos indicados, mas mesmo estas autorizações normalmente são dadas de forma rápida, sem maiores burocracias. O exemplo da judicialização crescente do tema não é argumento válido para mostrar a má-fé ou a intenção da operadora do plano em não atender o cliente. É evidente que as operadoras não são iguais e isso pode levar a diferenças importantes nos serviços prestados, variando bastante de plano para plano.

É verdade que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está buscando soluções viáveis para permitir que os segurados de operadoras sem escala ou condições mínimas para atendê-los dentro dos requisitos exigidos possam migrar para outras operadoras capazes de garantir-lhes o atendimento para o qual pagam. Um grande número de operadoras pequenas não tem condição de fazer frente ao quadro e a única solução é sua saída do mercado, seja pela interrupção das atividades, seja porque é absorvida por outra empresa maior e mais capitalizada.

Esta situação é consequência da Lei dos Planos de Saúde, que impede o surgimento de produtos mais afinados com a realidade.

Além disso, a crise por que o Brasil passa afastou milhões de pessoas dos planos de saúde privados. O impacto da perda de receita fragilizou mais de uma operadora, pela perda de escala, para fazer frente aos seus compromissos. Simplesmente suas despesas passaram a ser maiores do que suas receitas e ninguém consegue viver muito tempo gastando mais do que ganha.

A importância da contribuição das operadoras de planos de saúde pode ser aferida pelo número impressionante de 1,5 bilhão de procedimentos autorizados anualmente. Não só porque significam bilhões de reais pagos aos prestadores de serviços, mas porque praticamente desoneram o SUS do atendimento de 50 milhões de brasileiros que integram o sistema.

Com a retomada do crescimento, alguns milhões de pessoas devem voltar a ser clientes dos planos de saúde privados. É bom, mas é pouco para melhorar o atendimento médico-hospitalar. Os planos privados respondem por mais de 60% dos recursos investidos em saúde. Uma legislação com menos ideologia e mais pragmatismo poderia permitir que mais gente fosse atendida por eles.

*Antonio Penteado Mendonça é sócio de Penteado Mendonça e Char Advocacia e secretário Geral da Academia Paulista de Letras

MG ganha nova associação de corretores de seguros 579

Diretoria da Ascor-MG

Objetivo é qualificar setor de planos de saúde e odontológicos

Fundada recentemente por um grupo de empresários mineiros, a Associação dos Corretores e Agentes de Planos de Saúde e Odontológico de Minas Gerais (Ascor-MG) nasce com o propósito de desenvolver e integrar o mercado de intermediação de planos de saúde e odontológico, por meio da constante qualificação dos profissionais que atuam no segmento.

O presidente da Ascor-MG, André Beraldo de Morais, explica que a entidade atuará como instituição articuladora de projetos que objetivem a promoção e a defesa da instituição do “seguro/plano” de saúde e odontológico, o cumprimento de leis e normas aplicáveis ao sistema e o aperfeiçoamento da relação socioeconômica entre os agentes do setor.

“Queremos um mercado mais qualificado, transparente e ético, por isso investiremos na profissionalização das corretoras, vendedores, representantes e demais agentes do setor. Vamos estimular a especialização na promoção das vendas e distribuição dos produtos”, ressalta Beraldo.

Lançamento da entidade

A nova entidade será apresentada ao mercado no dia 18 de setembro, em Belo Horizonte, durante palestra da presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro. O evento é uma realização do Clube de Seguros de Pessoas de Minas Gerais (CSP-MG). O presidente da Ascor-MG, André Beraldo, vai compor a mesa de debates, ao lado de dirigentes de entidades do setor e autoridades locais.

Conheça a diretoria da Ascor-MG

Diretoria Executiva

Presidente: André Beraldo de Morais.
Vice-Presidente: Rodrigo Otávio de Oliveira.
Diretor Secretário: Kátia Delane Pereira de Barros.
Diretor Tesoureiro: Breno Campos.
Diretor Social: Felipe Astoni.

Conselho Fiscal

Fábio Santos.
Natan Sena.
Rodrigo Pinheiro.

Pirataria e falsificação colocam setor odontológico em alerta 680

Odonto

Dos mais de 2 milhões de implantes dentários feitos no Brasil, 30% são realizados com produtos sem procedência

Os dados são alarmantes. Segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (ABIMO), dos mais de 2 milhões de implantes dentários feitos no Brasil, 30% são realizados com produtos sem procedência. O volume de peças e componentes irregulares apreendidos pela Polícia Federal sem registro na ANVISA, no âmbito da Operação Fake, que combate à pirataria e falsificação no setor odontológico, chega a 350 mil.

A bola da vez são os instrumentos endodônticos, sobretudo as limas e brocas. O maior importador e líder no mercado de endodontia no Brasil, a Dentsply Sirona viu disparar, nos últimos meses, o número de registros e reclamações junto ao SAC por suspeitas de falsificação ou problema decorrente de uso de lima pirateada.

“Não se trata de um fato totalmente novo, pois pirataria sempre existiu nos instrumentos para endodontia. Contudo, é perceptível o aumento nos índices de registros por suspeita de falsificação, o que nos motivou a criar uma campanha de conscientização que tem como objetivo estimular os profissionais a comprar somente produtos originais em dentais cadastradas”, afirma Fabiana Nolasco, Coordenadora de Produtos de Endodontia da Dentsply Sirona.

“É fundamental que o mercado fique atento para diferenciar produtos originais de falsificados e somente comprar os materiais em dentais de confiança. Além claro, de desconfiar de preços muito abaixo do que o mercado pratica, principalmente no canal digital”, complementa Natlhalie Rodrigues, Coordenadora de Produto VDW, marca centenária que atua no Brasil sob gestão da Dentsply Sirona.

Esse cenário coloca todo o setor em alerta, principalmente a área acadêmica, responsável por formar e qualificar os profissionais do futuro. No curso de Odontologia da Universidade São Francisco, no interior de São Paulo, incorporou-se à grade curricular, desde o início deste ano, uma aula com foco justamente em ajudar o estudante a identificar um instrumento falsificado ou de baixa qualidade. “Notamos um volume acima do normal de produtos mais frágeis, que impôem riscos à intervenção. Isso nos motivou a criar uma aula que orienta os alunos a ficarem atento, desde a visualização do informativo no encarte até uma análise do próprio instrumento”, ressalta Miguel Haddad Filho, presidente da Câmara Técnica de Endodontia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) e Coordenador do Curso de Odontologia da Universidade São Francisco.

O assunto entrou definitivamente na pauta, uma vez que a Comissão Técnica de Endodontia, liderada por Haddad, em parceria com a APCD, estuda como disseminar essa preocupação e, acima de tudo, um conteúdo orientativo para outras universidades e, sobretudo, aos cirurgiões-dentistas.

Saúde dos pacientes em risco

A pirataria afeta toda a cadeia odontológica, do fabricante ao distribuidor e ao profissional. E coloca em risco o sucesso do procedimento e, consequentemente, a saúde do paciente.

De acordo com o Especialista, Mestre e Doutor em Endodontia pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba (Unicamp), Carlos Bueno, materiais falsificados, pirateados ou produzidos sem padrão de qualidade e aprovação na ANVISA podem provocar diversos danos e infecções bucais, colocando a vida dos pacientes em risco. “São inúmeros os riscos, desde o insucesso do procedimento, que será observado somente no longo prazo, no caso de uma limpeza ineficiente, por exemplo, até uma fissura ou infecção”, alerta Bueno.

O Prof. Associado da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), Manoel Machado, ressalta que os instrumentos representam um papel fundamental na taxa de sucesso de um procedimento. “A eficácia do tratamento e, consequentemente, a saúde bucal do paciente estão vinculadas diretamente às propriedades físico-químicas e desenho do instrumento. O material pirateado submete o profissional a inconvenientes ao longo do procedimento e pode levar a uma complicação de toda terapia Endodontia, gerando circunstâncias indesejáveis tanto ao profissional quanto ao paciente”, complementa o professor Machado.

O presidente da Sociedade Brasileira de Endodontia, professor Marco Húngaro, vai além e sugere que se faça um trabalho coordenado em todos os níveis para evitar que produtos não regulamentados ou piratesados cheguem até os consultórios. “Acho que tem que se trabalhar de forma mais intensa em nível governamental e com uma maior rigorosidade no controle de entrada de materiais”, afirma.

Saber onde comprar minimiza riscos

Nada é tão valioso quanto a reputação médica e saúde dos pacientes. Portanto, é fundamental que os profissionais fiquem atentos para diferenciar produtos originais de falsificados. E, para isso, adquirir produtos somente nas melhores dentais minimiza riscos de comprar produtos pirateados.

O corretor de seguros e o código de vestimenta 2971

Negócios

Será que o corretor de seguros deve se apresentar sempre de terno e gravata?

Renato Cunha Bueno é sócio-diretor da ARX Re Corretora de Resseguros e coordenador da Comissão Grandes Riscos e Resseguros do Sincor-SP
Renato Cunha Bueno é sócio-diretor da ARX Re Corretora de Resseguros e coordenador da Comissão Grandes Riscos e Resseguros do Sincor-SP

Quando iniciei na profissão, 40 anos atrás, era inadmissível um profissional ser visto sem terno e gravata. Uma ocasião encontrei um colega muito elegante que estava desempregado, enquanto eu caminhava com o diretor da seguradora para a qual trabalhava, pelo centro da cidade, região que à época abrigava praticamente todas as grandes empresas de São Paulo. Éramos amigos deste profissional e meu chefe ficou muito bravo com ele. “Como você tem coragem de vir ao Centro de roupa esporte? Assim você se desvaloriza e se alguém te vir ficará com uma má impressão. Volte para casa agora e só reapareça no Centro trajado adequadamente”. O amigo, totalmente envergonhado, saiu de fininho e foi embora com o rabo entre as pernas.

Muita coisa mudou de lá para cá. Mesmo o Lloyd’s de Londres, que frequento há mais de 20 anos como corretor de resseguros, mudou. Antigamente, mulheres não eram admitidas, os homens tinham cabelos curtos e ninguém tirava o paletó e a gravata nem dentro nem fora do Lloyd’s. Alguns hábitos ainda se mantêm, afinal de contas a Inglaterra é a terra da tradição. Ternos só pretos, cinzas ou azul marinho e o sapato sempre preto, jamais marrom, e nunca blazer! Em compensação eles hoje barbarizam nas meias, forros de paletós e gravatas, tudo super colorido, e nos escritórios dos corretores a grande maioria trabalha sem gravata e sem paletó, os jovens com a camisa fora da calça.

Aqui no Brasil as coisas também se transformaram, só que mais radicalmente. A princípio veio a sexta-feira casual e algumas seguradoras, ainda com muita preocupação com a aparência formal, chegaram a contratar consultorias de profissionais da moda como da Gloria Kalil, para “educar” e deixar os funcionários mais chiques. Depois, aos poucos, os funcionários de empresas do mercado segurador e financeiro foram se liberando das gravatas e passaram a se vestir à maneira de Mahmoud Ahmadinejad, ex presidente do Irã, de terno e sem gravata, e logo os blazers sem gravata passaram a dominar.

Nada contra o uso de ternos e gravatas ou qualquer tipo de roupa, cada um que se apresente como gosta, mas a verdade é que a grande maioria das pessoas se veste cada vez mais de forma casual e confortável usando inclusive jeans, camisas polo, sapatos mocassim e até tênis e camisetas.

Para minha surpresa, recebi uma notícia publicada no jornal O Estado de S. Paulo, que de tão surpreendente reproduzo integralmente:

Itaú Unibanco libera dress code ao gosto de cada colaborador

Depois de liberar o uso da bermuda na vestimenta diária, em resposta a uma demanda dos funcionários do seu Centro de Tecnologia, o Itaú Unibanco foi além. A partir deste mês, cada um dos seus mais de 85 mil colaboradores Brasil afora poderá escolher o traje de cada dia a seu bel-prazer. De camiseta, de tênis, de terno, de jeans e até de bermuda. O novo dress code do Itaú tem como mote “o nosso jeito tem seu estilo”.

Bom senso. A iniciativa, que começa a vigorar no banco a partir de amanhã, tem apenas duas regras: o bom senso e o cliente em primeiro lugar. As unidades externas do Itaú, que somam outros cerca de 14 mil funcionários, vão avaliar como aplicar a adoção do novo dress code.

Por isso, hoje aconselho: trabalhe bem, seja responsável e bom profissional, pois a aparência não resolve mais o problema de ninguém. Isso sem esquecer a boa regra do Itaú Unibanco: “bom senso e o cliente em primeiro lugar”.

*Por Renato Cunha Bueno, sócio-diretor da ARX Re Corretora de Resseguros e coordenador da Comissão Grandes Riscos e Resseguros do Sincor-SP.

Reforma coloca o benefício da previdência em pauta 2858

Previdência

Tema afeta o futuro de todos os brasileiros

O debate político sobre a reforma da previdência social vem sendo importante para chamar a atenção da opinião pública para este tema complexo e urgente, que afeta o futuro de todos os brasileiros. Apesar de a PEC 287/16 não ter progredido muito no Congresso Nacional, a discussão é fundamental para conscientizar o empresariado sobre a necessidade de mudança, já que cada vez mais os trabalhadores estão atentos às questões relacionadas com aposentadoria.

Anteriormente, as pessoas só começavam a pensar na aposentadoria quando já possuíam uma idade mais avançada. No entanto, nos dias de hoje, com a conscientização das empresas e funcionários, a ideia de fazer um planejamento desde a juventude vem ganhando visibilidade.

Além de garantir uma importante proteção adicional aos trabalhadores, a previdência privada pode contribuir para a atração e retenção de talentos. Por essa razão, de acordo com a Pesquisa de Benefícios da Aon, 56% das empresas já oferecem aos funcionários opções de planos de previdência complementar.

Os planos oferecidos podem possuir formatos distintos. No modelo de contribuição definida, o valor da contribuição é acertado no ato da contratação e o montante que será recebido varia em função desta quantia, do tempo de contribuição e da rentabilidade. Já no modelo de benefício definido, o valor da contribuição é que varia para que o valor pré-determinado do benefício possa ser atingido. Há também o modelo de contribuição variável, que ocorre quando as duas modalidades anteriores são combinadas.

De acordo com a Pesquisa de Benefícios, 46% das empresas optam por oferecer um plano de contribuição variável, 45% preferem o modelo de contribuição definida e apenas 9% o benefício definido, modalidade que vem diminuindo ao longo dos anos por conta dos riscos.

Além disso, a maior parte das companhias (61%) prefere investir na previdência privada aberta, onde os planos (PGBL, VGBL e FGB) são comercializados por bancos e seguradoras. Por outro lado, 20% das empresas escolhem a previdência fechada viabilizada por um fundo multipatrocinado, que também é comercializado pelas seguradoras, e 19% escolhem a previdência fechada por meio de um fundo próprio.

Desde 2012, quando 53% das empresas optavam por planos de previdência aberta, houve um expressivo aumento desta modalidade. Isso demonstra que as companhias não querem mais ter tanto trabalho para administrar seus planos de previdência. Por isso, a previdência aberta e os fundos multipatrocinados estão crescendo e vão continuar em progresso nos próximos anos.

Em relação às contribuições previdenciárias, cerca de 70% das empresas escolhem cobrar um percentual fixo do salário dos colaboradores. Na média, esse valor representa 5,7% da remuneração.

Um número menor de empresas (30%) opta por uma distribuição mais equilibrada, ou fixando a contribuição sobre uma parte do salário que excede um determinado valor, ou adotando tabelas de contribuição escalonada, dividindo o recurso e direcionando as maiores fatias a quem precisa mais do complemento na aposentadoria.

Essas fórmulas de contribuição são mais adequadas ao conceito da previdência privada, já que se levarmos em conta o processo de ascensão profissional, o trabalhador que hoje recebe menos terá mais ajuda da empresa para compor o valor do benefício quanto mais próximo estiver da sua aposentadoria. Na medida em que os profissionais crescem na carreira, suas contribuições aumentam, de forma a amplificar seu potencial de capitalização para o futuro. O objetivo é direcionar os recursos para quem efetivamente precisa da previdência complementar.

Seja qual for o modelo de viabilização, o papel da empresa não é apenas retirar uma parte do salário do funcionário e aplicar por ele, mesmo que isso por si só traga vantagens de taxas mais competitivas pelo ganho de escala. Das empresas que oferecem o benefício, 96% contribuem junto com os trabalhadores – 80% equiparando 100% do valor da contribuição, 6% contribuindo com menos de 100% e 14% contribuindo com mais de 100%.

No entanto, mesmo com o aumento da compreensão provocado pelo debate da reforma da previdência, o Brasil ainda precisa amadurecer sua cultura de aposentadoria. A previdência privada terá um papel cada vez mais importante na solução dos problemas das formas de custeio da terceira idade, e, por outro lado, as empresas terão um papel fundamental na educação previdenciária de seus funcionários.

*Por Roberta Porcel, Líder de Consultoria em Previdência e Serviços Atuariais da Aon Brasil.

Transformação digital impõe desafios para lideranças do setor de tecnologia das seguradoras 423

TI

Profissionais devem adaptar-se para corresponder ao novo cenário

Cristiane Dompieri é Diretora Comercial da Sistran / Divulgação
Cristiane Dompieri é Diretora Comercial da Sistran / Divulgação

Em um passado não muito distante, os CIOs de seguradoras tinham uma atuação bastante tradicional. Eram responsáveis por gerenciamento de dados, desenvolvimento e manutenção de sistemas, segurança e outras questões relacionadas à infraestrutura, oferecendo, também, suporte para problemas do dia a dia. Hoje, no entanto, o cenário é bem diferente. Esse profissional é cobrado para alavancar o desenvolvimento de novos negócios, ser corresponsável no destaque da empresa no mercado e, ainda, manter o nível de satisfação dos consumidores elevado.

O novo perfil exigido pelas seguradoras é de um CIO com atuação estratégica e diretamente alinhada ao negócio. Isso porque a tecnologia deve ser utilizada com foco no relacionamento e encantamento do cliente. O CIO deve ser parte fundamental da transformação digital, compartilhando a responsabilidade e trabalhando em parceria com as áreas de negócio. Nesse cenário, surge a oportunidade para que esses profissionais ressignifiquem o seu papel. E, se já não havia zona de conforto para esses líderes, em função da natureza da área e de suas funções, o desafio, agora, é ainda maior.

Esse novo CIO lida com algumas dores durante o processo de adaptação à nova realidade. A primeira delas é que boa parte das empresas ainda encara a TI como centro de custos. Os orçamentos são restritos e os cortes têm se intensificado nos últimos anos. Isso significa um empecilho para o desenvolvimento da área, uma vez que a transformação digital, dependendo da abrangência do projeto e das tecnologias escolhidas, pode demandar um investimento considerável.

Além das limitações financeiras, o CIO deve estar preparado para lidar também com outra dor latente: as mudanças na forma de trabalhar, que exigem adequação de profissionais como analistas, desenvolvedores e gerentes de projetos. As equipes devem ser capacitadas e treinadas para lidar com as inovações, mas é preciso ir além e incentivar também a mudança de mentalidade. O desafio de fazer mais e melhor é intensificado. Nesse sentido, metodologias como Agile e Lean aparecem como aliadas e precisam ser compreendidas e utilizadas pelos líderes de TI. Outro fato importante é compreender que não é preciso desenvolver tudo internamente. Soluções especialistas de mercado podem ser integradas facilmente, por exemplo, com a utilização de APIs (sigla em inglês de Application Programming Interface, ou Interface de Programação de Aplicativos), fazendo com que a empresa reduza o time to market, ou seja, o tempo desde o início do desenvolvimento de um produto até ele estar pronto para a venda.

Muitas seguradoras estão trilhando esse caminho, umas mais adiantadas que outras. Essa tendência se consolida no mercado e se estabelece, de fato, como um movimento necessário, que trará mudanças profundas para a área de TI.

Atentos a esses detalhes, os CIOs poderão focar suas atenções na operação das seguradoras, alterando-a com um objetivo maior: a satisfação do cliente. E, ao fazer esse trabalho de forma mais objetiva e evitando desperdícios, o orçamento é melhor direcionado e aproveitado. O auxílio de consultorias com conhecimento do mercado segurador, novas tecnologias e metodologias também é uma opção, uma vez que esse trabalho pode orientar a equipe de TI da organização de forma mais assertiva.

Vencidas as dores, o CIO passa a ocupar o espaço estratégico que lhe cabe e a conduzir as seguradoras para o futuro digital.

*Por Cristiane Dompieri, Diretora Comercial da Sistran.