Riscos em segurança: prevenir ou remediar? 11965

Confira artigo de Paulo Sergio, especialista em Gestão de Riscos e Segurança Patrimonial da ICTS Security

Surpresas boas ou ruins são inevitáveis. Situações adversas que causam danos físicos e materiais podem ocorrer em qualquer atividade. Por isso, é importante que os empresários ou os comerciantes considerem a possibilidade de danos a equipamentos, instalações, perdas no processo de produção e até mesmo a redução ou interrupção da capacidade produtiva do seu negócio. Conhecer os custos destes possíveis prejuízos também é importante.

Todos nós já vivenciamos ou conhecemos alguém que esteve em uma situação de perigo, trazendo danos financeiros ou fatalidades como a perda de um ente querido. A tendência do ser humano é pensar que nada acontecerá com ele, deixando-o na zona de conforto para enfrentar as adversidades.

Dominar o cenário no qual estamos inseridos e os riscos aos quais estamos expostos ajuda a escolher, entre as opções disponíveis, as que propiciam melhor controle das situações. Uma análise detalhada de sua rotina profissional ou de seus hábitos domésticos ajudam a fazer escolhas. O olhar de um profissional especializado é efetivo na tomada de decisões sobre nossa segurança.

Em função do fácil acesso à informação, temos como conhecer antecipadamente uma série de fatores, a exemplo menciono condições climáticas, locais de grande concentração de violência, frequência de furtos em um determinado bairro, entre outros. Estar informados nos mantém atentos aos riscos e faz a diferença no modo como nos preparamos para evitar ou desviar de situações desagradáveis.

Quando escolhemos um automóvel, de modo geral, os critérios de escolha são gosto pessoal, motorização, conforto e tecnologia embarcada. Para comportar-se preventivamente, é importante acrescentar nesta análise o quanto este modelo é visado para roubos e furtos e seus índices de sinistros. Custos com seguros também são importantes, pois ao assumir despesas muito altas, é provável que o proprietário passe a economizar em itens como estacionamento, o que o torna mais vulnerável.

O pior risco é aquele que não é assim considerado e, portanto, não tratado. Profissionais especializados em gestão de riscos identificam e categorizam vulnerabilidades, planejam e controlam processos, treinam e a capacitam pessoas, orientam sobre uso e investimentos em tecnologia, bem como atuam em monitoramento e reavaliação constantes para garantir a qualidade da gestão dos riscos.

Eliminar todos os riscos não é uma possibilidade real, entretanto, gerenciar de maneira inteligente, antecipar possibilidades e condições inseguras é a alternativa mais adequada. O comportamento preventivo tem por objetivo manter os riscos aos quais estamos sujeitos em níveis mínimos e aceitáveis para garantir o bem-estar e a tranquilidade em nossa vida e da nossa família.

Transformação digital impõe desafios para lideranças do setor de tecnologia das seguradoras 418

TI

Profissionais devem adaptar-se para corresponder ao novo cenário

Cristiane Dompieri é Diretora Comercial da Sistran / Divulgação
Cristiane Dompieri é Diretora Comercial da Sistran / Divulgação

Em um passado não muito distante, os CIOs de seguradoras tinham uma atuação bastante tradicional. Eram responsáveis por gerenciamento de dados, desenvolvimento e manutenção de sistemas, segurança e outras questões relacionadas à infraestrutura, oferecendo, também, suporte para problemas do dia a dia. Hoje, no entanto, o cenário é bem diferente. Esse profissional é cobrado para alavancar o desenvolvimento de novos negócios, ser corresponsável no destaque da empresa no mercado e, ainda, manter o nível de satisfação dos consumidores elevado.

O novo perfil exigido pelas seguradoras é de um CIO com atuação estratégica e diretamente alinhada ao negócio. Isso porque a tecnologia deve ser utilizada com foco no relacionamento e encantamento do cliente. O CIO deve ser parte fundamental da transformação digital, compartilhando a responsabilidade e trabalhando em parceria com as áreas de negócio. Nesse cenário, surge a oportunidade para que esses profissionais ressignifiquem o seu papel. E, se já não havia zona de conforto para esses líderes, em função da natureza da área e de suas funções, o desafio, agora, é ainda maior.

Esse novo CIO lida com algumas dores durante o processo de adaptação à nova realidade. A primeira delas é que boa parte das empresas ainda encara a TI como centro de custos. Os orçamentos são restritos e os cortes têm se intensificado nos últimos anos. Isso significa um empecilho para o desenvolvimento da área, uma vez que a transformação digital, dependendo da abrangência do projeto e das tecnologias escolhidas, pode demandar um investimento considerável.

Além das limitações financeiras, o CIO deve estar preparado para lidar também com outra dor latente: as mudanças na forma de trabalhar, que exigem adequação de profissionais como analistas, desenvolvedores e gerentes de projetos. As equipes devem ser capacitadas e treinadas para lidar com as inovações, mas é preciso ir além e incentivar também a mudança de mentalidade. O desafio de fazer mais e melhor é intensificado. Nesse sentido, metodologias como Agile e Lean aparecem como aliadas e precisam ser compreendidas e utilizadas pelos líderes de TI. Outro fato importante é compreender que não é preciso desenvolver tudo internamente. Soluções especialistas de mercado podem ser integradas facilmente, por exemplo, com a utilização de APIs (sigla em inglês de Application Programming Interface, ou Interface de Programação de Aplicativos), fazendo com que a empresa reduza o time to market, ou seja, o tempo desde o início do desenvolvimento de um produto até ele estar pronto para a venda.

Muitas seguradoras estão trilhando esse caminho, umas mais adiantadas que outras. Essa tendência se consolida no mercado e se estabelece, de fato, como um movimento necessário, que trará mudanças profundas para a área de TI.

Atentos a esses detalhes, os CIOs poderão focar suas atenções na operação das seguradoras, alterando-a com um objetivo maior: a satisfação do cliente. E, ao fazer esse trabalho de forma mais objetiva e evitando desperdícios, o orçamento é melhor direcionado e aproveitado. O auxílio de consultorias com conhecimento do mercado segurador, novas tecnologias e metodologias também é uma opção, uma vez que esse trabalho pode orientar a equipe de TI da organização de forma mais assertiva.

Vencidas as dores, o CIO passa a ocupar o espaço estratégico que lhe cabe e a conduzir as seguradoras para o futuro digital.

*Por Cristiane Dompieri, Diretora Comercial da Sistran.

Como a tecnologia ajuda o mercado de seguro auto? 583

Impactos da tecnologia no mercado de seguro auto

Confira um panorama geral sobre o assunto

De acordo com levantamento da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg), menos de 30% da frota de automóveis existentes no país possui seguro. São mais de 30 milhões de veículos circulando pelas ruas do país sem cobertura, numa frota total de 43.5 milhões de veículos, segundo dados do SindiPeças.

Quando observamos o mercado como um todo, é possível notar que ainda existem muitos entraves ao crescimento do setor. Além do alto preço do seguro (prêmio), um dos maiores desafios desse setor no Brasil, é a modernização das transações. Sabemos que o processo de contratação e utilização do seguro ainda é na maioria das vezes bastante burocrático, o que pode levar dias, semanas ou até mesmo meses, dependendo do caso.

Assim como acontece em outros setores, é preciso que os profissionais atuantes na área não se esqueçam que com a tecnologia presente no nosso dia a dia, o consumidor passou a recorrer a novas alternativas para resolver qualquer tipo de situação, seja relacionado a pagamentos, alimentação, saúde ou educação. Por que no setor de seguros de automóvel isso seria diferente?

Já imaginou a praticidade e agilidade de se resolver um processo de sinistro em apenas alguns cliques, e em poucos minutos? Algumas soluções tecnológicas disponíveis no mercado já contribuem para que os trâmites que envolvem seguradoras sejam realizados à distância. Por meio de sistemas e banco de dados robustos, mas de utilização intuitiva, é possível por exemplo realizar uma avaliação de danos de um veículo e compartilhar esses dados em tempo real com a seguradora. Todo esse processo corrobora para a liberação mais rápida dos reparos e entrega do veículo, poupando tempo e dinheiro para todos os envolvidos.

Poderia me estender indicando muitas outras aplicações e benefícios da tecnologia ao mercado de seguro auto. Mas vale destacar que basta observar outros ecossistemas para entender a importância de soluções digitalizadas para sanar as necessidades dos clientes, ganhar escala e, claro, sobreviver à enxurrada de inovações dos concorrentes.

*Por Alexandre Ponciano, diretor comercial da Solera Holding Inc., empresa que oferece tecnologias digitais para gerir riscos e ativos no ramo automotivo.

Países estrangeiros podem recusar intercambistas sem seguro viagem 643

Viagem

Além de possibilitar atendimento médico, seguro pode cobrir despesas como extravio de bagagem e regresso antecipado

Estudar fora do país tem se tornado a escolha de muitos brasileiros. Segundo a pesquisa Selo Belta, divulgada pela Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta), o mercado brasileiro de educação estrangeira cresceu 23%, em 2017, e alcançou a marca inédita de 302 mil estudantes. Entre as muitas exigências e preocupações dos países que recebem os intercambistas, um assunto é quase unânime: as regras de saúde no país de destino! Por isso, a ComparaOnline, marketplace de comparação de seguros e créditos, aponta as principais informações sobre seguro viagem para os brasileiros que estão pensando em estudar fora do país.

A grande maioria dos países e programas de bolsas para intercâmbio exigem a contratação de seguro viagem durante todo o período que o intercambista estiver no exterior. Dependendo do tempo de permanência, alguns países podem, inclusive, exigir a contratação de um seguro saúde local. Mas, segundo o CEO da ComparaOnline no Brasil, Paulo Marchetti, ainda com um seguro saúde é importante avaliar a contratação de um seguro viagem. “Ainda que o intercambista tenha um seguro saúde local, é importante pensar que a aquisição de um seguro viagem internacional é mais abrangente e garante a proteção para mais serviços, como repatriação sanitária e funerária, acompanhamento de um familiar em caso de ocorrências graves, além de pequenos problemas que podem gerar grandes dores de cabeça, como extravio de bagagem, por exemplo”, explica.

Além disso, Marchetti ressalta que, caso o estudante queira viajar para outros países durante o período de sua estadia, o seguro saúde local não abrangerá outras localidades e, portanto, o estudante ficará desprotegido nesses casos se não tiver contratado um seguro viagem internacional.

É importante ressaltar também que o prazo máximo de um seguro viagem internacional é de 365 dias. Porém, caso o estudante amplie o período de estadia no exterior, deverá solicitar a extensão para a seguradora antes do término da vigência da proteção.

Para aqueles que já estão planejando o intercâmbio, a ComparaOnline listou algumas informações importantes sobre seguro saúde nos países mais buscados pelos intercambistas:

Canadá

Canadá

O sistema de saúde no Canadá é público para o morador nativo, no entanto é pago no caso de turistas. Por essa razão, recomenda-se a contratação de seguro médico para a viagem. O sistema de saúde canadense é muito eficiente e, para a população, sejam residentes permanentes ou (a depender da região) estudantes, passível de ser utilizada de forma gratuita. Para todas as outras pessoas, incluindo turistas e estudantes que não tenham cumprido o período de carência para utilização do sistema público de saúde (podendo ocorrer de seis meses até um ano), deve-se providenciar, ainda no Brasil, seguro viagem internacional.

África do Sul

África do Sul

Para estudantes que excedam os 90 dias no país é preciso solicitar visto de estudante que exige comprovante de seguro médico obrigatório para o período que o estudante permanecer no local.

Inglaterra

Inglaterra

Estudantes que possuem visto Tier 4 General, obrigatório para quem vai estudar por mais de 6 meses no país, têm direito a consultas, atendimentos, tratamentos e, em alguns casos, até medicamentos gratuitos, pois são obrigados a pagar uma taxa para tirar o visto dirigida ao National Health Service (NHS).

Austrália

Sidney

A Austrália dispõe de excelente sistema de saúde, com hospitais bem equipados e ampla variedade de especialistas médicos. Mas é preciso ter em mente que o sistema de saúde australiano (incluindo atendimento médico e emergencial nos hospitais), mesmo no sistema público, não é gratuito para visitantes. Para os estudantes que ficarão mais de 3 meses no país, é preciso contratar um OSHC (Overseas Student Health Cover), cobertura de seguro saúde para estudantes estrangeiros. É absolutamente imperativo que o viajante conte com um seguro de saúde internacional abrangente.

Malta

Malta

Brasil e Malta não têm acordo recíproco na área de saúde. É aconselhável que todos os visitantes façam apólice de seguro médico pessoal. A assistência médica em Malta está disponível em hospitais públicos e privados. Mesmo no caso dos hospitais públicos, o atendimento será cobrado de turistas estrangeiros. A qualidade do atendimento médico em Malta é boa, mas hospitais podem ter capacidade de atendimento limitada.

França

França

A França tem uma das melhores redes de saúde do mundo. Estrangeiros podem se inscrever no Sécurité Sociale, sistema nacional de saúde Francês. Porém isso não significa que todos os serviços sejam gratuitos. É preciso atentar aos pré requisitos e tempo de carências.

Alemanha

Alemanha

Não há assistência médica gratuita na Alemanha. Todos os residentes ou pessoas em trânsito pelo território alemão, turistas inclusive, devem ter seguro saúde válido para cobrir eventuais despesas relativas a consultas ou atendimentos de emergência.

Argentina: peso tomba novamente 799

Argentina

Confira o relatório de Patricia Krause, economista da Coface para América Latina, e compreenda a situação do País vizinho

Com previsão de regressão de -2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), a Coface considera a Argentina um país de risco C (alto). Mas afinal, o quê aconteceu?

O peso argentino (ARS) caiu 19,4% (considerando a taxa spot) na semana passada. A nova queda, desencadeada na quarta-feira, 29 de agosto, ocorreu depois que o presidente Mauricio Macri pediu ao Fundo Monetário Internacional uma liberação antecipada do empréstimo de USD 50 bilhões, para aliviar um mercado em turbulência. O plano, no entanto, saiu pela culatra, pois levantou o alarme sobre a capacidade do governo de cumprir sua obrigação fiscal.

A fim de tentar estabilizar o ARS, em uma nova decisão entre reuniões no dia seguinte, o banco central elevou acentuadamente a taxa básica de juros (a Leliq de 7 dias) em 1.500 pontos-base, alcançando impressionantes 60% ao ano. A moeda continuou, no entanto, a depreciar (-13,4% no dia), apresentando alguma correção apenas na sexta-feira (+ 4,3% no dia).

Por que aconteceu?

A crise cambial foi desencadeada no final de abril de 2018, quando o país foi atingido por uma mudança no humor dos investidores globais em relação aos países emergentes. A Argentina foi atingida devido aos profundos déficits gêmeos. O país registrou um déficit primário de 3,9% do PIB em 2017, enquanto o déficit em conta corrente atingiu 5,3% do PIB no primeiro trimestre de 2018. Paralelamente, o governo aproveitou a ainda abundante liquidez internacional para financiar seu balanço externo. No primeiro trimestre de 2018, a dívida externa subiu para USD 253,7 bilhões, ou 39,9% do PIB, ante 36,6% em 2017 e 32,7% em 2016. Naquela época, os formuladores de políticas anunciaram um empréstimo de três anos de USD 50 bilhões com o FMI e a redução da meta de déficit fiscal para este ano para 2,7% do PIB e para 1,3% em 2019. As medidas ajudaram a conter a queda acelerada da ARS por algum tempo, embora, como ficou claro na semana passada, as dúvidas quanto à capacidade de pagamento do governo não cessaram.

Em 1º de setembro, o governo divulgou um novo plano de austeridade para alcançar a consolidação fiscal de forma mais rápida. O governo também está assumindo que a economia contrairá 2,4% em 2018 e que permanecerá estável em 2019. A meta fiscal para o próximo ano foi alterada de um déficit de 1,3% do PIB para zero, enquanto para 2020 um superávit de 1% do PIB será perseguido em 2020. Para tentar alcançar os objetivos, o governo anunciou as seguintes medidas:

  • Imposto transitório sobre exportações que durará até 2020. De acordo com o novo imposto, as exportações de bens primários estarão sujeitas a uma taxa de 4 ARS fixa cobrada para cada USD 1, enquanto para todas as outras mercadorias um imposto de 3 ARS será aplicado para cada USD 1 exportado. Nos níveis atuais da taxa de câmbio, representa uma taxa de 10% e 8%, respectivamente. Espera-se que este imposto contribua com 1% do PIB em receitas. No entanto, à primeira vista, não parece bem desenhado, já que uma depreciação adicional reduziria a alíquota do imposto.
  • Adiar a redução dos impostos sobre folha de pagamento prevista para 2019 (0,2% do PIB) para 2020
  • Cortar pela metade o número de ministérios e limitar a contratação do setor público
  • Redução de 0,7% do PIB em gastos de capital, o que levará a um corte de 50% nos investimentos em infraestrutura em 2019
  • Reduzir os subsídios em mais 0,5% do PIB
  • Além disso, o imposto de exportação de 25,5% sobre a soja foi reduzido para 18%, assim como o imposto de 23% sobre os embarques de óleo de soja e farelo de soja. Mas os três produtos também estarão sujeitos à cobrança de 4 pesos por dólar de exportação, elevando o aumento efetivo do imposto sobre a soja e seus subprodutos para 3 pontos percentuais.

Quais os riscos isso implica?

Ontem, os volumes negociados no mercado foram baixos, devido ao dia do trabalho nos EUA. Desta forma, o veredito do mercado sobre o novo plano deve ser dado hoje. Mesmo assim, a impressão inicial não foi muito boa com o declínio adicional do ARS (-4,4%) e do índice de referência do mercado de ações Merval (-1,7%). Os investidores também podem estar aguardando o resultado da reunião entre o ministro da fazenda da Argentina e a equipe do FMI, que será realizada hoje. A aposta é que o país provavelmente obterá alguma concessão do FMI.

O profundo déficit em conta corrente deve ser corrigido automaticamente à medida que a economia entre em recessão, reduzindo drasticamente suas importações. No entanto, a situação fiscal é mais preocupante. A maior parte da dívida pública líquida é dolarizada. Isso significa que a queda da moeda dificulta a capacidade de pagamento do governo. Considerando os atuais níveis da taxa de câmbio, a dívida pública líquida deverá encerrar o ano em 56% do PIB. O governo estima que suas necessidades de financiamento para 2019 são de USD 39,5 bilhões, supondo um orçamento primário equilibrado e que 60% dos títulos do tesouro com vencimento para o resto do ano serão rolados para 2019. Cerca de USD 29,1 bilhões dessas necessidades são pagamentos de juros e capital em dólares americanos e USD 10,4 bilhões são denominados em ARS. Quanto às fontes, o governo buscará USD 23,3 bilhões do setor privado entre o refinanciamento de títulos e letras, cerca de USD 11,7 bilhões do FMI, o que significaria desembolsos totais no próximo ano nas condições atuais do programa e USD 4,6 bilhões de instituições financeiras internacionais que não o FMI.

A partir da perspectiva microeconômica, os riscos aumentaram em ritmo acelerado. O consumo das famílias deve reportar uma desaceleração acentuada, já que a inflação (atualmente em 31,2%) deve deteriorar mais. O governo revisou sua previsão de inflação para o final do ano de 2018 de 15% para 42%. Além disso, as condições de crédito também se deterioraram, com a taxa básica agora em 60% ao ano. Adicionalmente, a forte depreciação cambial também impacta diversos segmentos que dependem de produtos / insumos importados (como eletrônicos ,insumos químicos e bens de capital). Com relação à construção, a mesma também deve ser impactada pela redução anunciada nos investimentos públicos.

O imposto sobre as exportações também deve influenciar o setor agrícola. Levando em conta os valores da balança comercial de 2017, as exportações representaram 9% do PIB da Argentina. Além disso, os bens agrícolas representavam pelo menos 55% do total exportado. Desta forma, o governo está pedindo a cooperação dos agricultores para conter a crise. A safra de trigo já foi plantada, mas agricultores podem atrasar as vendas do grão sob o novo regime fiscal (para especular o valor do ARS). O imposto também pode influenciar a safra de milho no próximo ano, já que os agricultores se preparam para plantar o grão no próximo mês. Na mesma linha, a organização do setor lácteo do país, CIL, também alertou que a taxação das exportações irá agravar as condições já negativas em todo o setor.

Fábricas Inteligentes trazem novo panorama de riscos 384

Fábrica

Tema foi apresentado em evento da Zurich Seguros

Os impactos para o mercado de seguros com a chegada da quarta revolução industrial e o surgimento das fábricas inteligentes foram um dos temas apresentados durante o Improve, evento realizado pela seguradora Zurich. Tiago Santana, Engenheiro de Riscos especialista em riscos cibernéticos da companhia no Brasil, apresentou esse panorama de mudanças nos riscos geradas pela nova forma de produção dentro das indústrias.

As fábricas inteligentes são caracterizadas por máquinas interligadas em rede e interagindo entre si sem interferência humana e contam com sistemas de fabricação colaborativo totalmente integrado, que geram respostas em tempo real às mudanças da fábrica e as demandas dos clientes. Essa realidade traz uma série de mudanças nos riscos, como complexa interdependência entre processos, alta vulnerabilidade de infraestruturas críticas, potencial de grandes impactos na interrupção dos negócios, dificuldades para se determinar a responsabilidade de perdas decorridas, maior demanda para proteção de dados e vulnerabilidade a ataques cibernéticos.

Além disso, destaca Santana, os perfis de risco poderão ter formatos diferentes já que, com maior frequência, teremos cenários de risco com baixa probabilidade de ocorrência, porém alta severidade de impacto operacional e financeiro. Também chama atenção nessa mudança que experiências de perdas vivenciadas anteriormente poderão se tornar menos representativas em potenciais perdas futuras, uma vez que o risco está evoluindo e se modificando juntamente com a adoção de novas tecnologias pela indústria. “Seguradoras e provedores de serviços de engenharia de riscos estão dedicando cada vez mais esforços a processos de inovação e adaptação para gerir novos ambientes de riscos, necessidades, produtos e serviços”, afirma o engenheiro.

Tiago Santana também chama a atenção para possíveis alterações na transferência de riscos, já que algumas coberturas se tornarão menos estratégicas, como Responsabilidade Civil de Produtos, Ambiental e Empregador devido a implantação de controles mais eficientes e totalmente automatizados. “Outras, porém, terão cada vez mais importância devido a sua crescente complexidade, como Responsabilidade Civil-Profissional, Segurança Cibernética, Interrupção de negócio (BI), Cadeia de suprimentos e Performance“, conclui.

O Improve foi realizado no último mês de agosto, em São Paulo, e reuniu mais de 180 profissionais, entre gestores e engenheiros de risco, bem como corretores e parceiros da seguradora. Todas as palestras e materiais estão disponíveis gratuitamente na página da Zurich.